Economia

Uma nova ameaça ao setor agrícola brasileiro surgiu

Uma nova ameaça ao setor agrícola brasileiro surgiu
  • Publishedabril 2, 2026

Uma nova ameaça ao setor agrícola brasileiro surgiu com a possível presença do bicudo-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), um besouro exótico que destrói palmeiras e já devastou plantações em outros países. A primeira notificação da possível chegada do inseto no Brasil ocorreu em 2022, em Porto Feliz (SP), e desde então amostras indicam sua presença em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O biólogo Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico de São Paulo, foi o responsável pela notificação inicial. A suspeita é de que o inseto tenha entrado no país por meio de palmeiras importadas do Uruguai. O Ministério da Agricultura ainda não confirmou oficialmente a presença do bicudo-vermelho, mas emitiu alerta em março sobre o risco de prejuízos aos produtores.

Até o momento, há apenas indícios da presença da praga, enquanto o governo realiza coletas e análises em laboratórios credenciados para confirmação. O Ministério reforça que o combate adequado depende dessa validação.

O bicudo-vermelho pode ser confundido com o bicudo-preto (Rhynchophorus palmarum), espécie nativa que também ataca palmeiras. A diferença principal está no tamanho e na coloração: o bicudo-vermelho tem coloração avermelhada com manchas escuras e cerca de 5 centímetros, enquanto o bicudo-preto é maior e tem coloração preta.

O Brasil tem uma das maiores diversidades de palmeiras no mundo, com mais de 260 espécies nativas, como a guariroba e o butiá. Essas plantas têm relevância ambiental e econômica, sustentando cadeias produtivas de coco, açaí, dendê, além de serem muito utilizadas no paisagismo.

O besouro fêmea perfura a palmeira para depositar ovos. As larvas, ao nascer, alimentam-se do interior da planta, destruindo o palmito, que é o “miolo” da palmeira. Esse ataque impede o crescimento de novas folhas e causa a morte da planta. Palmeiras possuem caule flexível, chamado estipe, que facilita o desenvolvimento das larvas protegidas internamente, dificultando a detecção precoce da infestação.

A ameaça preocupa o mercado de plantas ornamentais, que depende de palmeiras que podem levar décadas para atingir tamanho comercial. Em uma fazenda em Jacareí (SP), por exemplo, uma palmeira da espécie Phoenix canariensis, preferida pelo inseto, pode levar até 20 anos para crescer e valer R$ 24 mil.

Juliano Borim, presidente da Sociedade Brasileira de Palmeiras (SBP), relata impactos severos observados em países vizinhos, onde vastas áreas de palmeiras foram destruídas. Ele destaca que o inseto, inicialmente atacando espécies exóticas, também passou a atingir palmeiras nativas como jerivá e butiá.

O combate à praga encontra dificuldades no Brasil. A entrada irregular de palmeiras importadas, a ausência de predadores naturais e a falta de insumos registrados no país para controle, como feromônios e inseticidas específicos, complicam a situação.

O Ministério da Agricultura informa que está avaliando alternativas para controlar a praga e poderá adotar medidas para registro de produtos se a presença do bicudo-vermelho for confirmada.

Produtores e pesquisadores pedem agilidade nas ações. O agrônomo Roberto Betancur alerta que a inação pode resultar em problemas graves tanto para palmeiras ornamentais quanto para as produtivas no país.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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