A artista britânica Es Devlin cria cenários monumentais para shows de artistas como Beyoncé, U2 e Lady Gaga, combinando engenharia, arquitetura e tecnologia em estruturas que marcam grandes eventos. Desde março, ela apresenta a exposição “Sou o Outro do Outro” na Casa Bradesco, em São Paulo, que propõe uma experiência imersiva e interativa ao público.
Devlin desenvolveu os cenários da “Formation Tour” e da “Renaissance Tour” de Beyoncé, além dos palcos tecnológicos da turnê “Innocence + Experience” do U2 e do show de Lady Gaga em Copacabana. Ela atua também em teatro, desfiles de moda e cerimônias olímpicas, incluindo Rio 2016 e Londres 2012.
Para a artista, seu trabalho combina imaginação e conhecimento técnico para criar estruturas físicas que dialogam com a experiência do público. “Trabalhamos no limite do possível. Existe o impossível, que não podemos fazer porque estamos criando coisas físicas. E existe o possível, que não queremos fazer porque já foi feito”, afirma.
Segundo Devlin, seu processo criativo começa com a busca por um ponto de conexão entre sua visão e a cultura local ou do artista. No caso da exposição em São Paulo, ela pesquisou a história do edifício Matarazzo e da cidade para desenvolver um trabalho que permita a participação dos visitantes, com espelhos, sons e desenhos interativos.
Ela destaca que grandes produções são experiências coletivas compartilhadas pelo público, onde a música e a arte pertencem a quem assiste e vive o momento. “Vejo toda performance e toda obra de arte como algo de autoria do público”, explica.
O tempo para desenvolver um projeto varia: a montagem da ópera “Tristan & Isolde” na Met Opera levou quatro anos, enquanto a exposição em São Paulo foi planejada em 18 meses. Já o show de Lady Gaga no Coachella teve um prazo de poucos meses entre convite e apresentação.
Devlin observa que suas criações para shows no Brasil mantiveram-se fiéis às versões originais, como no caso do espetáculo em Copacabana, que usem a mesma estrutura da turnê anterior. Sobre a mudança na dinâmica dos shows com o uso de celulares, ela reflete que a tecnologia tornou o aparelho uma extensão do público, promovendo uma nova relação entre espectadores e a performance.
Apesar disso, ela não se preocupa em adaptar os cenários para filmagens de celulares, mas sim em assegurar que a intimidade e a experiência do espetáculo sejam percebidas em grande escala. “Não penso em como ficará na câmera, mas em como você se sentirá”, afirma.
A carreira de Devlin começou pela sua diversidade de interesses, sem uma especialização tradicional, o que a levou a ocupar um espaço entre diferentes áreas criativas. Ela se descreve como uma “dobradiça” entre mundos, integrando arte, técnica e cultura em seus trabalhos.
Com a exposição aberta em São Paulo, Es Devlin amplia seu foco para projetos autorais, mantendo a conexão entre o espaço, o público e a narrativa que deseja transmitir. O objetivo é criar experiências que sejam acessíveis e envolventes, incentivando a participação e o diálogo.
A trajetória da artista mostra uma combinação entre inovação tecnológica e um olhar sensível para as emoções humanas, reafirmando sua presença em grandes eventos culturais e no cenário artístico contemporâneo.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

