Irã ameaça bloquear estreito de bab el

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O Irã ameaça bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb, ponto estratégico entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia, que controla o tráfego marítimo para o Canal de Suez e transporta cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo. A ameaça surge diante da escalada do conflito na região e da suspensão do transporte pelo Estreito de Ormuz, situado no Golfo Pérsico.

Nos últimos meses, o Estreito de Bab el-Mandeb ganhou ainda mais importância como rota alternativa para o escoamento do petróleo do Oriente Médio, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. A movimentação na rota do Mar Vermelho envolve milhares de navios diariamente, incluindo cargas de petróleo, gás natural liquefeito e bens comerciais.

Na quinta-feira (26), a agência semioficial iraniana Tasnim informou que os houthis, grupo armado iemenita apoiado pelo Irã, estariam preparados para assumir o controle do estreito como parte das “forças de resistência”. Uma fonte militar iraniana afirmou à agência que fechar a passagem “é uma tarefa fácil” para os houthis. No dia anterior, outra advertência da Tasnim alertou para o risco de que os EUA enfrentem um novo problema caso adotem medidas “imprudentes” no Estreito de Ormuz.

No sábado (28), os houthis lançaram mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início do conflito, tendo como alvo “alvos militares sensíveis”, segundo o grupo. Israel confirmou a interceptação de um dos projéteis. Antes do ataque, o líder houthi Abdul Malik Al-Houthi já declarava que o grupo responderia militarmente a ações dos EUA e Israel, indicando estar “militarmente pronto” para agir contra o Estreito de Bab el-Mandeb.

Os Estados Unidos emitiram um alerta para a ameaça dos houthis contra navios comerciais na região, destacando o risco para ativos americanos, apesar do grupo não ter realizado ataques desde o cessar-fogo entre Israel e Gaza, firmado em outubro de 2025. Este estreito já foi alvo de ataques houthi no passado, que incluíram uso de mísseis e drones e resultaram no bloqueio temporário da rota marítima.

O bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb teria implicações diretas para o mercado global de energia, agravando a crise causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. A interrupção no transporte pelo Golfo Pérsico provocou aumento acentuado no preço do petróleo Brent, que subiu de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100 o barril. Além do petróleo, a cadeia global de suprimentos, que envolve desde matérias-primas até bens de consumo, sofre impactos pela dificuldade no tráfego marítimo.

Historicamente, o Estreito de Bab el-Mandeb, com aproximadamente 115 km de extensão e 36 km de largura, tem grande importância comercial, cultural e estratégica. Seu nome significa “portão das lágrimas” em árabe, em referência aos perigos que afetaram navegadores por séculos, como correntes marítimas fortes, pirataria e conflitos armados. A rota conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Oceano Índico, sendo fundamental para o comércio entre Europa, Ásia e Oriente Médio.

A abertura do Canal de Suez, em 1869, tornou o Estreito de Bab el-Mandeb um ponto essencial para a rota marítima entre o Ocidente e o Oriente. Atualmente, ele transporta cerca de um quarto do comércio marítimo global e cerca de 4,5 milhões de barris diários de petróleo oriundos do Oriente Médio e da Ásia em direção ao Ocidente.

Além do petróleo saudita, que passa pela Arábia Saudita por meio do porto de Yanbu, o estreito também é rota para as exportações russas de petróleo destinadas à Ásia. Qualquer bloqueio na passagem poderia provocar aumento nos preços globais de energia e afetar o comércio internacional.

Entre 2008 e 2012, o Estreito de Bab el-Mandeb sofreu ataques frequentes de piratas somalis. Mais recentemente, de novembro de 2023 a janeiro de 2024, os houthis realizaram mais de 100 ataques a navios comerciais, usando mísseis e drones, em retaliação à guerra em Gaza. Esses ataques resultaram em navios afundados, mortos e no desvio de rotas comerciais, o que afetou companhias de navegação e petrolíferas.

Embora os incidentes tenham diminuído após o cessar-fogo mediado pelos EUA em outubro de 2025, as recentes ameaças e ataques indicam uma possível retomada da escalada na região. A tensão entre Irã, EUA e Israel reforça a importância estratégica do Estreito de Bab el-Mandeb para a estabilidade econômica global.

A continuidade do conflito pode elevar ainda mais o risco para as rotas marítimas, pressionando os mercados de energia e afetando o comércio mundial. A situação requer monitoramento constante diante da possibilidade de novos bloqueios na região.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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