O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, vem causando aumento nos preços globais de energia e afetando outras cadeias de suprimentos essenciais. Desde o início da interrupção, registrada em 2024, a passagem de navios pela região caiu drasticamente, gerando impactos em setores fundamentais para a economia mundial.
Além da elevação no preço da gasolina e nas contas de aquecimento no Reino Unido, o bloqueio tem prejudicado a exportação de fertilizantes, que são essenciais para a produção agrícola global. Cerca de um terço dos fertilizantes, como ureia, potássio, amônia e fosfatos, passam habitualmente pelo Estreito de Ormuz, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). O fluxo desses produtos sofreu queda quase total desde o início do conflito, conforme dados da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Pesquisas do Instituto Kiel indicam que a escassez desses insumos pode comprometer a safra agrícola do hemisfério norte, sobretudo por coincidir com o período de plantio em março e abril. O fechamento da passagem pode elevar os preços globais do trigo em até 4,2% e dos vegetais em 5,2%. Países como Zâmbia, Sri Lanka, Taiwan e Paquistão devem ser os mais afetados pelas variações nos custos dos alimentos.
No setor tecnológico, o bloqueio ameaça a oferta global de gás hélio, fundamental para a produção de microchips e para equipamentos médicos, como ressonância magnética. Uma parte expressiva do hélio, cerca de um terço do mercado mundial, é extraída no Catar e transita pelo Estreito de Ormuz. Após ataques recentes, a maior usina do país interrompeu a produção, e o conserto pode levar de três a cinco anos, afirma o governo catarense.
A falta de hélio pode acarretar aumento nos preços de semicondutores usados em smartphones, computadores e veículos, além de elevar o custo de exames de ressonância magnética. Segundo o pesquisador Prashant Yadav, o uso constante do gás é necessário para resfriar ímãs dos aparelhos, e a escassez impactaria o setor médico e tecnológico.
Outro grupo de produtos afetados são os derivados petroquímicos, como metanol e etileno, que servem de base para a fabricação de medicamentos, incluindo analgésicos, antibióticos e vacinas. Países do Golfo responsáveis por cerca de 6% da capacidade mundial de produção petroquímica dependem do Estreito para exportar para a Ásia e outras regiões. A interrupção no transporte pode resultar em aumento nos preços de remédios, principalmente genéricos produzidos em grande escala na Índia.
O comércio de enxofre, subproduto do petróleo e gás natural, também foi impactado pela restrição de tráfego no Estreito de Ormuz. Cerca de metade do comércio mundial desse mineral passa pela região, e ele é vital para a produção de ácido sulfúrico, utilizado no processamento de metais como cobre, cobalto e níquel. Esses metais são essenciais para baterias de veículos elétricos, eletrodomésticos e equipamentos militares.
Especialistas alertam que a continuação do bloqueio pode elevar os preços de bens que dependem dessas baterias, quanto à produção e ao consumo. O cenário atual evidencia a complexidade das cadeias globais de abastecimento e a vulnerabilidade de setores estratégicos a interrupções geopolíticas.
Em conclusão, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tem desencadeado impactos além do setor energético, afetando fertilizantes, gases industriais, produtos farmacêuticos e minerais essenciais para tecnologia e agricultura. As consequências para os mercados globais podem se estender ao longo do ano, com efeitos diretos nos custos de alimentos, medicamentos e tecnologias de ponta.
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Palavras-chave: Estreito de Ormuz, bloqueio, Irã, exportações, fertilizantes, hélio, derivados petroquímicos, medicamentos, enxofre, semicondutores, preços globais, cadeias de suprimentos.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

