A guerra no Oriente Médio tem agravado a crise dos

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A guerra no Oriente Médio tem agravado a crise dos combustíveis no Brasil, impactando preços, inflação e abastecimento em diversas regiões do país. Na sexta-feira (31), a Polícia Federal realizou operação em 11 estados e no Distrito Federal para combater preços abusivos de combustíveis.

Desde o início do conflito, o preço do diesel nos postos brasileiros subiu quase 24%, passando de R$ 6,03 para R$ 7,45 o litro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A gasolina também teve alta de 8%, chegando a R$ 6,78 por litro. Essa elevação ocorre num cenário de tensão internacional, com ações militares envolvendo Israel e Irã.

O governo brasileiro busca mitigar os efeitos dessa alta repentina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou pacote de medidas que inclui incentivos ao setor e a isenção de impostos federais sobre o diesel. Além disso, foi proposta a zeragem do ICMS pelos estados, mas a medida foi recusada por muitos governadores. Em contrapartida, uma proposta de auxílio de R$ 1,20 por litro de diesel importado, com custos divididos entre União e estados, recebeu aceitação parcial, segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.

Entretanto, a crise afeta diretamente o abastecimento em postos de várias regiões. No Rio Grande do Sul, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sulpetro) constatou que 88% dos postos receberam combustíveis de forma parcial. No Rio de Janeiro, o Sindicato dos Combustíveis (Sindcomb) informo que postos de marca própria enfrentam desabastecimento e limitações no fornecimento. Em São Paulo, o sindicato regional (Sincopetro) reporta dificuldades para as redes independentes, que representam 30% dos postos no estado, enfrentarem custos elevados na importação e margens reduzidas para venda.

Um fator que complica o cenário é a defasagem dos preços do diesel e gasolina internos em relação ao mercado internacional. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço do diesel nas refinarias da Petrobras está cerca de 65% abaixo do preço do mercado externo, enquanto o da gasolina registra defasagem de 45%. Esse desequilíbrio desestimula importadores privados, que reduziram em 60% suas atividades no mercado brasileiro, conforme estimativa do banco BTG Pactual.

Com a redução das importações, o país fica mais dependente do fornecimento da Petrobras. Isso gera risco tanto de falta quanto de aumento dos preços dos combustíveis para o consumidor. Levantamentos regionais confirmam restrições no abastecimento devido às cotas estabelecidas pela estatal.

Além disso, os leilões de distribuição de combustíveis da Petrobras chegaram a registrar valores superiores aos preços de referência, especialmente em áreas do Norte e Nordeste, com diferenças de até R$ 2,65 por litro. Essa situação gera diferença de preços no mercado, conforme apontado por Sérgio Araújo, presidente da Abicom, que destaca o repasse desses custos pelas distribuidoras enfrentando resistência dos consumidores.

Analistas do Banco do Brasil e do BTG Pactual apontam que a alta do petróleo no mercado internacional influencia tanto a inflação quanto as decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) já manifestou preocupação com o conflito no Oriente Médio e suas consequências para a economia nacional, suspendendo cortes adicionais na Selic após reduzir o índice para 14,75% ao ano em março.

O economista-chefe do Banco do Brasil, Marcelo Rebelo, estima que o choque do petróleo pode elevar cerca de 0,6 ponto percentual do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. Apesar disso, ele destaca que o Brasil deve absorver parte do impacto graças à condição de exportador líquido de petróleo, o que pode melhorar o superávit comercial e os termos de troca do país.

No entanto, o aumento dos preços dos combustíveis já reflete no custo do transporte e na inflação, afetando o orçamento dos consumidores brasileiros. A operação da Polícia Federal e as medidas do governo são tentativas de conter os efeitos da crise, que ainda não tem previsão de solução próxima, dada a instabilidade geopolítica no Oriente Médio.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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