Museu britânico substitui palestina por canaã em exposições

O Museu Britânico, em Londres, alterou descrições de suas galerias ao substituir o termo “Palestina” por “Canaã”, o que gerou protestos nesta semana. A mudança ocorreu após pressão de um grupo de advogados pró-Israel, que contestou o uso do termo “Palestina” para períodos históricos nos quais, segundo eles, essa entidade não existia.
A alteração foi noticiada pelo jornal britânico The Guardian, provocando reações entre especialistas e representantes palestinos. O museu afirmou que as mudanças foram feitas de forma independente e que ainda utiliza o termo “Palestina” em várias outras exposições, principalmente em contextos contemporâneos e históricos posteriores.
Especialistas apontam que “Canaã” seria um termo mais adequado para se referir ao Levante meridional durante a Idade do Bronze Tardia, período que corresponde ao final do segundo milênio antes de Cristo. Ainda assim, o arqueólogo e museólogo palestino Ayman Warasneh questiona os motivos por trás da alteração, já que não haveria novas descobertas científicas que justifiquem a troca.
A substituição ocorre em meio a um contexto sensível, pouco depois da guerra de Israel em Gaza, conflito que danificou mais de 150 patrimônios culturais, muitos deles sítios arqueológicos antigos. Isso aumentou o debate sobre como instituições culturais devem proceder em temas politicamente delicados, principalmente quando pressões externas podem influenciar decisões acadêmicas.
O museu explicou que o termo “Palestina” era usado principalmente como uma designação geográfica que se refere à região durante diferentes períodos históricos, incluindo o mandato britânico entre 1922 e 1948, quando vários artefatos foram escavados. Segundo Warasneh, essa classificação não nega a existência do termo naquele período, mas distingue entre fatos arqueológicos e nomenclaturas geográficas.
O caso do Museu Britânico não é isolado. O mesmo grupo de advogados pró-Israel também questionou o uso do termo “antiga Palestina” em materiais da Open University, no Reino Unido, e pressionou o Royal Ontario Museum, no Canadá, devido a artefatos rotulados como “Síria ou Palestina”.
Para Warasneh, mudanças em descrições históricas sem explicações claras podem prejudicar a confiança do público nas instituições. Ele enfatiza que museus devem apresentar os fatos, mesmo que eles sejam desconfortáveis, e que é importante esclarecer as razões por trás de revisões em discursos históricos.
O episódio levanta um debate mais amplo sobre a autonomia acadêmica de museus e a influência de pressões políticas em seus acervos e exposições, principalmente em regiões e temas marcados por conflitos contemporâneos.
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Fonte: g1.globo.com
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