O bilionário de tecnologia Peter Thiel realizou entre os dias 15 e 18 de abril em Roma uma série de palestras sobre o conceito de anticristo que provocaram mal-estar na Igreja Católica devido à proximidade do evento com o Vaticano. As discussões foram restritas a convidados de setores acadêmico, tecnológico e religioso, e o local não foi divulgado.
Segundo o jornal “The New York Times”, o crachá dos participantes indicava o nome da conferência como “O Anticristo Bíblico”. Ao menos um sacerdote participou dos encontros, que ocorreram em ambiente fechado e sem acesso da imprensa. Embora Thiel já tenha promovido eventos semelhantes em outras cidades, foi apenas com a chegada a Roma que líderes católicos começaram a se manifestar.
Na véspera do início das palestras, o padre Paolo Benanti, assessor do papa sobre inteligência artificial, publicou um ensaio intitulado “Heresia americana: Peter Thiel deveria ser queimado na fogueira?”. No texto, Benanti classificou o bilionário como um “teólogo político” do Vale do Silício que desafia o consenso liberal, colocando em xeque os fundamentos da convivência civil.
Além disso, a Conferência Episcopal Italiana divulgou artigos críticos a Thiel, alertando para os riscos de líderes tecnológicos estabelecerem seus próprios limites éticos. O órgão defendeu a necessidade de supervisão governamental democrática das plataformas digitais e o combate à disseminação de desinformação.
Peter Thiel é conhecido por ter fundado a PayPal e a Palantir Technologies e tem ampliado seu interesse por temas filosóficos e religiosos. Em eventos anteriores realizados em São Francisco e Paris, ele discutiu a possibilidade de surgir uma figura com características do anticristo, baseada em profecias bíblicas.
O bilionário alerta para o risco de o anticristo tentar estabelecer um governo mundial único, prometendo evitar desastres como guerras nucleares, avanços descontrolados da inteligência artificial e mudanças climáticas. As palestras em Roma continuaram essa linha, abordando cenários futuros sob essa perspectiva.
Os organizadores afirmaram que os encontros reuniram convidados dos setores acadêmico, tecnológico e religioso, mas não divulgaram o endereço do evento. A iniciativa gerou controvérsia pela temática e pela relação direta com o contexto religioso presente na cidade, próxima ao Vaticano.
Apesar da polêmica, Peter Thiel mantém seu interesse em discutir temas religiosos e filosóficos em fóruns restritos, abordando questões éticas relacionadas ao avanço tecnológico e ao impacto na sociedade global. A reação da Igreja reflete preocupações quanto à influência dessas ideias em ambientes próximos à autoridade religiosa.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

