Estados decidirem rejeitar a proposta do governo federal

Estados decidirem rejeitar a proposta do governo federal para zerar o ICMS sobre o diesel até o fim de maio, diante das preocupações sobre perdas na arrecadação e impacto nas contas públicas. A contraproposta apresentada pelo governador do Rio Grande do Sul será analisada no próximo encontro do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
Na quarta-feira (18), o governo federal ofereceu compensar metade das perdas dos estados com a isenção, estimadas em R$ 3 bilhões por mês. Segundo o Ministério da Fazenda, a União entregaria R$ 1,5 bilhão mensal para cobrir a redução no ICMS da importação do diesel.
Governadores e secretários de Fazenda de estados como Goiás, São Paulo e o Distrito Federal afirmam que não podem abrir mão da arrecadação do imposto, já que o ICMS é uma das principais fontes de receita estadual. Cada unidade federativa tem autonomia para definir seus tributos estaduais, portanto não é obrigada a aceitar a proposta do governo federal.
O Paraná informou que busca, junto ao Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), soluções que preservem o equilíbrio das contas públicas, os repasses para os municípios e o setor produtivo. O governo estadual defende que qualquer alteração na carga tributária do diesel deve ser feita em consenso entre os estados.
Além disso, o Paraná destacou que os estados ainda enfrentam perdas decorrentes das leis complementares aprovadas em 2022, que reduziram as alíquotas do ICMS sobre combustíveis. O Ministério da Fazenda, em nota, disse manter o diálogo com os governadores para tentar alcançar um acordo consensual.
Na manhã desta quinta-feira, durante evento em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou publicamente que os governadores reduzam o ICMS sobre os combustíveis. Ele relacionou o pedido ao impacto da guerra no Oriente Médio nos preços internos do álcool, da gasolina e do diesel, criticando reajustes feitos por agentes do mercado.
Antes do evento, técnicos do Ministério da Fazenda se reuniram com representantes estaduais para formalizar a demanda do governo federal após a rejeição inicial dos governadores ao pedido informal do presidente.
O governo federal vem adotando medidas para minimizar o impacto da alta do petróleo, como a redução de impostos federais sobre o diesel e a oferta de subsídios para produtores e importadores. O foco é conter custos logísticos que afetam diretamente os preços dos alimentos e outros produtos essenciais.
Paralelamente, o Executivo prepara ações para reforçar a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e punições para empresas que descumprirem a regra. A intenção é evitar uma greve de caminhoneiros, que poderia ser motivada pelo aumento do preço do diesel, e garantir a estabilidade no transporte de cargas.
Em resumo, a proposta do governo federal de zerar o ICMS sobre o diesel enfrenta resistência dos estados por causa dos impactos financeiros. Apesar dos esforços de negociação, as negociações permanecem em andamento, com a reunião do Confaz prevista para definir os próximos passos.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com