Seguradoras começaram a oferecer apólices específicas para cobrir erros causados por sistemas de inteligência artificial (IA), conforme reportagem da agência France Presse divulgada nesta segunda-feira (16). A medida ocorre devido ao aumento do uso de IA em diferentes setores e à necessidade de proteger empresas contra falhas e decisões equivocadas desses sistemas.
Embora a inteligência artificial tenha avançado em autonomia e capacidade, ela ainda está sujeita a erros, como as chamadas “alucinações”, quando o sistema gera informações falsas com alta confiança. Tradicionalmente, seguros cobrem falhas humanas, mas a crescente utilização de ferramentas autônomas levou seguradoras a adaptarem suas coberturas para englobar riscos associados à IA.
Phil Dawson, responsável por IA na seguradora Armilla, destacou que essas ferramentas desafiam a lógica tradicional dos seguros, pois visam operar sem supervisão humana. Segundo ele, isso obriga o setor a repensar as apólices existentes para incluir novas formas de risco.
Até recentemente, os riscos de IA eram cobertos de forma implícita em apólices convencionais, em um modelo conhecido como “cobertura silenciosa”. No entanto, o setor mudou sua postura e muitas seguradoras começaram a excluir explicitamente riscos ligados à IA das apólices padrão. Em alguns casos, empresas, como a Chubb nos Estados Unidos, solicitam autorização regulatória para formalizar essa exclusão.
Entre os produtos que passam a incorporar riscos de IA está o seguro de erros e omissões (E&O), comum para profissionais, mas agora adaptado para cobrir falhas em sistemas automatizados. Essas apólices podem indenizar prejuízos causados por decisões erradas, informações falsas geradas pela IA e danos reais, como compras excessivas feitas por agentes virtuais.
Um exemplo citado por Dawson envolve uma imobiliária que contratou uma apólice específica para proteger seu agente de IA, tratando-o como um funcionário humano. Essa prática representa uma tendência crescente para assegurar ativos virtuais frente a riscos emergentes.
Antes de conceder cobertura, seguradoras realizam avaliações detalhadas dos sistemas de IA. A Armilla, por exemplo, testa vulnerabilidades nos modelos e analisa a gestão de riscos da empresa cliente, além da conformidade com regulamentações nacionais e internacionais.
Apesar da ampliação das coberturas, algumas áreas permanecem excluídas. A Armilla não cobre aplicações relacionadas a diagnósticos médicos ou saúde mental, enquanto a Munich Re exclui falhas decorrentes de condições excepcionais de mercado, como variações atípicas na avaliação de ativos financeiros ou obras de arte.
Atualmente, as principais contratantes dessas apólices são empresas de tecnologia e companhias de setores como agricultura, indústria e energia, que desenvolvem ou utilizam sistemas de IA. O mercado para esse tipo de seguro está em expansão.
Segundo Michael von Gablenz, da Munich Re, o potencial desse setor é comparável ou superior ao mercado de cibersegurança. Ele ressalta que os modelos de IA permanecem estatísticos e sempre apresentam um grau de incerteza, o que mantém os riscos.
De acordo com a consultoria Deloitte, o mercado global de seguros para inteligência artificial pode alcançar um volume financeiro de até US$ 4,8 bilhões (aproximadamente R$ 25 bilhões) até 2032, refletindo o crescimento da demanda por proteção contra erros tecnológicos.
*Com informações da France Presse.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

