O Banco de Brasília (BRB) enfrenta riscos financeiros desde o escândalo envolvendo o Banco Master, revelado no final de 2023, o que levou o Banco Central a barrar a compra do Master pelo BRB e a determinar a liquidação extrajudicial da instituição. A crise, que afeta as gestões de 2024 e 2025, coloca o patrimônio do BRB sob suspeita e compromete a estabilidade da instituição.
O BRB aportou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, dos quais pelo menos R$ 12,2 bilhões estão sob suspeita de irregularidades. Com a liquidação extrajudicial do Master, os ativos que deveriam integrar o patrimônio do BRB ficaram congelados, fragilizando as condições financeiras do banco e gerando risco de descumprimento das regras prudenciais do sistema bancário.
Para enfrentar a crise, o BRB apresentou ao Banco Central um plano de capital preventivo que prevê a emissão de até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar recursos de mercado, com aporte estimado entre R$ 529 milhões e R$ 8,86 bilhões. O governo do Distrito Federal autorizou o uso de imóveis públicos avaliados em R$ 6,6 bilhões como garantia para reforçar o capital do banco.
Agências de rating como Fitch e Moody’s rebaixaram a nota de crédito do BRB para “CCC”, indicando alto risco de inadimplência, fragilidades na governança, falhas nos controles internos e risco operacional elevado. O governo do DF também enfrenta restrições fiscais e perdeu apoio da União para garantias, dificultando o acesso a empréstimos em condições favoráveis.
Outro risco envolve a liquidez do banco, já que os créditos oriundos do Banco Master possuem baixo valor real e podem ser difíceis de recuperar. Embora esse risco seja considerado pequeno devido ao patrimônio imobiliário do governo do Distrito Federal, a medida pode comprometer o patrimônio público ao longo do tempo.
O mercado permanece desconfiado apesar das garantias do BRB sobre solidez e plano de capital. A Fitch, por exemplo, retirou a expectativa de socorro automático do governo local, elevando a incerteza sobre o apoio financeiro e político ao banco diante das investigações, processos judiciais e ações regulatórias em curso.
O BRB tramita, no âmbito legislativo do Distrito Federal, um projeto que permite a constituição de um fundo imobiliário com nove imóveis públicos para lastrear a capitalização do banco. O governo pretende aprovar o uso desses ativos para captar até R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro, uma medida que poderá reforçar o patrimônio do BRB sem impacto direto na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Além disso, o banco busca reestruturar seu patrimônio por meio da venda de ativos e participação em subsidiárias, além de recuperar créditos judicializados vinculados ao Banco Master. O processo judicial para reaver recursos bloqueados pode levar meses ou anos, e o banco recorre ao Supremo Tribunal Federal para garantir prioridade na distribuição.
A possibilidade de federalização do BRB, que transferiria o controle do banco para a União, foi descartada pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, que afirmou que a instituição sairá fortalecida do processo de recapitalização. A intervenção ou liquidação, embora considerada o pior cenário, ainda é remota e dependeria da piora da liquidez combinada à falta de apoio do governo local.
Até o final do mês, o BRB deve apresentar ao Banco Central e ao mercado uma definição clara sobre a origem dos recursos que garantam sua sobrevivência e a continuidade das operações. A situação segue como prioridade para o governo do Distrito Federal e para gestores do banco, que buscam alternativas para evitar uma crise maior no sistema financeiro local.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

