O chef dinamarquês René Redzepi, responsável pelo restaurante Noma, em Copenhagen, foi denunciado por ex-funcionários por agressões físicas e humilhações entre 2009 e 2017, conforme reportagem publicada pelo jornal The New York Times em 2024. O Noma, conhecido por seus três estrelas Michelin e menus que custam cerca de R$ 7 mil por pessoa, era considerado um dos principais nomes da alta gastronomia internacional.
A investigação do The New York Times reuniu depoimentos de aproximadamente 35 ex-funcionários que relataram uma cultura de abusos dentro da cozinha do restaurante. Segundo eles, Redzepi cometia agressões físicas, como empurrões, tapas e até socos, em resposta a erros considerados pequenos. Também houve relatos de objetos e utensílios sendo arremessados contra empregados.
Além da violência, os trabalhadores afirmaram ter sido submetidos a humilhações públicas e ameaças, especialmente estagiários estrangeiros, que receberam pouco ou nenhum pagamento. Esses profissionais, atraídos pela reputação do Noma, trabalhavam jornadas exaustivas de até 16 horas por dia em períodos de alta demanda.
A denúncia gerou reações no setor gastronômico e no mercado de eventos. American Express e a startup de hospitalidade Blackbird cancelaram o apoio a um evento ligado ao chef, que tinha ingressos vendidos a aproximadamente US$ 1,5 mil (R$ 7,7 mil). As empresas anunciaram que reembolsarão clientes e doarão os valores arrecadados a organizações de defesa dos trabalhadores do setor.
Ben Leventhal, fundador da Blackbird, classificou as práticas admitidas por Redzepi como “inaceitáveis”, destacando que o tempo não justifica tais comportamentos. A plataforma Resy, que pertence à American Express, também se desvinculou do evento e informou que os recursos serão destinados a iniciativas que apoiam trabalhadores da hospitalidade em Los Angeles.
Fundado em Copenhagen, o Noma foi eleito cinco vezes o melhor restaurante do mundo pela lista The World’s 50 Best Restaurants. O chef René Redzepi recebeu reconhecimento global e foi até nomeado cavaleiro por suas contribuições à cultura dinamarquesa. No entanto, as denúncias contrastam fortemente com essa imagem pública.
Segundo relatos, grande parte da força de trabalho durante os anos investigados era composta por estagiários estrangeiros, que enfrentavam longas jornadas e condições precárias, com supervisão marcada por advertências agressivas e violências físicas. Alguns ex-funcionários relataram também que o ambiente impunha pressão extrema para manter os padrões de excelência.
As denúncias ganharam força após publicações nas redes sociais feitas por Jason Ignacio White, ex-funcionário do Noma, que detalhou abusos sofridos na cozinha do restaurante. Em resposta, grupos como One Fair Wage planejam realizar protestos e exigem melhores condições de trabalho e compensações para os profissionais que atuaram no estabelecimento.
O Noma declarou ao The New York Times que implementou mudanças internas nos últimos anos, como a criação de departamentos formais de recursos humanos, treinamentos para gestores e maior flexibilidade nos horários de trabalho, sem comentar diretamente as acusações levantadas.
O caso expõe um conflito crescente entre a busca por excelência na alta gastronomia e a necessidade de respeitar direitos trabalhistas e condições dignas para os profissionais do setor. As reações da indústria e as medidas adotadas nos próximos meses poderão sinalizar mudanças para ambientes tradicionalmente marcados por alta pressão e rigor extremo.
—
Palavras-chave relacionadas para SEO: René Redzepi, Noma, denúncias de abuso, agressões na cozinha, alta gastronomia, três estrelas Michelin, exploração de estagiários, condições de trabalho restaurante, protestos trabalhistas gastronomia, chef dinamarquês, eventos gastronômicos cancelados.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

