A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar a trend “Caso ela diga não”, que estimula a violência contra mulheres nas redes sociais, principalmente no TikTok. A investigação ocorre após vídeos em que jovens simulam agressões físicas a manequins representando mulheres viralizarem na plataforma.
Nos vídeos, que mostram respostas violentas a rejeições, como recusa de pedidos de namoro, os autores ensinam condutas agressivas. A Polícia Federal solicitou a remoção dos conteúdos, e o TikTok confirmou a exclusão dos vídeos por violarem as regras da plataforma.
A repercussão dessas publicações aparece em meio à comoção nacional causada pela denúncia de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, ocorrida em 31 de janeiro em um apartamento em Copacabana, Rio de Janeiro. Segundo a polícia, o ataque configurou “emboscada planejada”.
A vítima relatou que, após convite do ex-namorado para ir a um apartamento, recusou uma proposta de “fazer algo diferente”. Durante relação sexual consentida, outros quatro rapazes invadiram o cômodo e cometeram agressões sexuais e físicas. Vídeos exibidos pela TV Globo mostraram os suspeitos debochando da vítima no elevador após o crime.
Quatro jovens tiveram prisão preventiva decretada, e um menor foi apreendido. Todos negam envolvimento no estupro. Um dos investigados, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, apareceu usando uma camisa com a frase “regret nothing” (“não me arrependo de nada”), expressão associada a grupos misóginos online, conhecidos como “machosfera”.
Essas comunidades difundem narrativas que culpabilizam mulheres por relações afetivas frustradas e defendem hierarquias de gênero, incentivando comportamentos violentos. Pesquisadores indicam que as redes sociais têm papel importante na propagação dessas ideias entre jovens.
Um estudo global da Ipsos e do King’s College de Londres, com 23 mil pessoas de 29 países, aponta que homens da geração Z são mais propensos que os baby boomers a acreditar que esposas devem obedecer seus maridos. Entre os mais jovens, 31% concordam com essa afirmação, contra 13% dos homens com mais de 60 anos.
Heejung Chung, do King’s College, afirmou à BBC News que influenciadores e políticos exploram reclamações masculinas e incentivam a reafirmação da dominância masculina nas redes sociais. Penny East, da Sociedade Fawcett, ressaltou que níveis elevados de misoginia expostos a meninos contribuem para essas atitudes.
A pesquisa também mostrou que mulheres jovens apresentam menor adesão à ideia de obediência conjugal, mas ainda assim em proporção maior que homens da geração baby boomer. East afirmou que redes sociais promovem modelos tradicionais de feminilidade que reforçam papéis subservientes.
Globalmente, 44% das pessoas concordam que a igualdade das mulheres foi levada longe demais e passa a discriminar homens, segundo o estudo. A Organização das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero (UN Women) destaca que nenhum país alcançou plena igualdade legal entre homens e mulheres.
A representante da Sociedade Fawcett alertou que essa percepção ignora dados que mostram que mulheres ainda sofrem abusos em casa, assédio nas ruas e desigualdades salariais em todo o mundo.
No Brasil, parlamentares apresentam projetos para combater a misoginia nas redes sociais. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) propõe criminalizar a misoginia e a disseminação da cultura “red pill” na internet, buscando responsabilizar conteúdos que promovam ódio e inferiorização das mulheres.
No Senado, a Comissão de Direitos Humanos deve analisar projeto da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) que inclui a misoginia como crime equiparado à discriminação racial na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989). A proposta quer ampliar a legislação para punir práticas misóginas baseadas na ideia de supremacia masculina.
A discussão sobre a misoginia nas redes sociais e seus reflexos na violência contra mulheres segue ganhando espaço público, enquanto investigações policiais e projetos legislativos buscam respostas e soluções para o problema.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com