A alta recente nos preços das commodities impulsionada

A alta recente nos preços das commodities impulsionada pelo conflito no Oriente Médio pode beneficiar o agronegócio e a produção de petróleo do Brasil, segundo especialistas. O índice CRB, que mede commodities básicas, atingiu seu maior valor desde 2011 em 9 de março de 2026, refletindo um aumento global dos preços que tende a persistir enquanto durar o conflito.
O Brasil é um dos principais players mundiais na produção agrícola e petrolífera. O país é o maior produtor mundial de alimentos, sexto maior produtor de petróleo bruto e décimo maior exportador do recurso. Essa posição faz com que grande parte da balança comercial brasileira dependa das exportações de commodities.
O período conhecido como “boom das commodities”, entre o início dos anos 2000 e a década de 2010, trouxe crescimento ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e fortaleceu o país como exportador global de matérias-primas. A atual crise internacional, porém, apresenta características diferentes, mas pode gerar um novo aumento nas exportações brasileiras, ainda que de forma menos intensa.
A China, principal destino das exportações brasileiras — recebendo cerca de 80% da soja, 56% do minério de ferro e 45% do petróleo brasileiro — reduziu sua meta de crescimento econômico para menos de 5% em 2026, o que limita o potencial de demanda por commodities. Entretanto, a instabilidade motivada por bloqueios e conflitos no Estreito de Ormuz pode provocar aumento nos preços dos combustíveis e fertilizantes, elevando os custos agrícolas.
Para Francisco Américo Cassano, professor da Universidade Santa Cecília, o cenário atual não aponta para um novo “boom” das commodities, mas sim para um aumento na receita pela valorização dos preços. Ele observa, ainda, que cenários prolongados de conflito são indesejáveis para países como os Estados Unidos, que enfrentam risco de inflação doméstica.
Jorge Arbache, economista da Universidade de Brasília (UnB), destaca que o Brasil pode atrair mais investimentos estrangeiros por estar distante geograficamente e politicamente da região em conflito. Essa condição fortalece setores como agricultura e energia, criando oportunidades de negócios e reduzindo incertezas relativas a riscos diretos.
Arbache aponta que o contexto geopolítico e as mudanças climáticas tendem a sustentar preços elevados de energia e alimentos no médio e longo prazo. Porém, adverte que o cenário permanece incerto e condicionado a múltiplos fatores globais.
No curto prazo, o aumento do risco nos mercados internacionais pode pressionar o risco de crédito e o risco-país, afetando economias emergentes como a brasileira. A elevação dos preços do petróleo e dos fertilizantes pode refletir no custo do frete e dos alimentos para o consumidor interno.
Cassano ressalta que o aumento dos preços internacionais das commodities tende a transferir pressão inflacionária para os consumidores nacionais, já que produtores recebem valores maiores no mercado externo e repassam esses custos internamente.
Além disso, os impactos do conflito no Golfo Pérsico vão além das questões comerciais, afetando investimentos. Ataques a plantas energéticas em países do Oriente Médio tiveram consequências sobre fundos soberanos que investem no Brasil, o que pode reduzir aportes no curto prazo.
Apesar dos desafios, Arbache acredita que o Brasil pode se beneficiar no longo prazo com o aumento da atratividade para investidores estrangeiros, impulsionando a atividade econômica e gerando empregos. No entanto, enfatiza que os impactos negativos imediatos da guerra serão sentidos pela maior parte dos países, inclusive o Brasil.
O conflito internacional exacerba tensões econômicas globais, criando efeitos complexos para o Brasil, que experimenta simultaneamente oportunidades de crescimento e riscos de inflação e volatilidade de mercado.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com