Economia

Mariene Ramos, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômi

Mariene Ramos, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômi
  • Publishedmarço 8, 2026

Mariene Ramos, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), analisa o mercado de trabalho das mães solo no Brasil, que somam quase 11 milhões e ganham 40% menos que pais casados. A pesquisa, baseada em dados de 2022, revela as condições econômicas e sociais dessas mulheres, destacando os desafios no acesso a empregos formais e a baixa remuneração.

Nascida no interior do Tocantins, Mariene mudou-se para o Distrito Federal ainda criança e cresceu ajudando sua mãe a cuidar de filhos de outras mulheres solo na periferia. Hoje, com 36 anos, ela é mãe solo e busca compreender as dificuldades enfrentadas por esse grupo por meio de seu mestrado em políticas públicas.

Em 2022, as mulheres passaram a ser chefes em 52% dos domicílios brasileiros, e a chefia feminina atinge 92% nos lares monoparentais. Segundo Mariene, as mães solo enfrentam taxas de ocupação (50,2%) menores que pais casados (81%) e mães casadas (53,2%). Além disso, têm menor contribuição previdenciária (28,3%) em comparação a pais com cônjuge (54,8%) e mães casadas (34,7%), indicando vulnerabilidade social de longo prazo.

A concentração dessas mulheres está em setores como o serviço doméstico, que emprega 21,9% das mães solo, percentual muito superior ao observado entre mães e pais casados. Mariene destaca que essa realidade reforça a marginalização dessas mulheres nos setores com salários mais baixos.

A escolaridade é outro fator que afeta a inserção dessas mães no mercado. Mais da metade tem ensino médio incompleto, percentual superior ao de outros grupos. Apenas 13,7% concluíram o ensino superior, percentual menor que o das mães casadas e mulheres sem filhos. A pesquisadora aponta que, além da escolaridade, a discriminação de empregadores por causa da maternidade reduz as oportunidades e contribui para a baixa remuneração.

A maioria das mães solo (62%) é negra, número que supera a proporção em outros grupos familiares, e 33,5% vivem com idosos em casa, o que pode representar tanto uma rede de apoio como uma carga adicional de cuidados. Essa condição é conhecida como “geração sanduíche”, pois somam-se as responsabilidades de cuidar de filhos e parentes idosos.

Mais da metade das mães solo (57%) recebe benefícios sociais, número muito maior que o dos pais casados (19%) e mães casadas (34%). Mariene relaciona esse dado à falha do mercado de trabalho em oferecer empregos adequados e remuneratórios para essas mulheres. Esse cenário demanda uma intervenção estatal para garantir condições mínimas de sobrevivência.

A pesquisadora ressalta a importância do acesso à creche, especialmente para crianças com até três anos. Dados da ONG Todos pela Educação apontam que, em 2024, apenas 41,2% dessas crianças estavam em creches, com desigualdade entre classes sociais. A carência de vagas dificulta o ingresso das mães solo no mercado formal.

Mariene destaca que o tempo dedicado ao cuidado não remunerado também precisa ser reconhecido. Estudo da USP revela que mulheres trabalham, em média, 58,1 horas semanais, considerando atividades remuneradas e domésticas, enquanto homens trabalham 50,3 horas. A carga extra recai principalmente sobre as mulheres e impacta na disponibilidade para o mercado formal.

A pesquisa reforça a necessidade de políticas públicas que considerem a realidade das mães solo como um fenômeno estrutural no Brasil, não mais como um grupo marginal. Para Mariene, estas mulheres devem ser inseridas no mercado de trabalho com oportunidades reais, que lhes permitam autonomia financeira e melhores condições sociais.

A experiência da pesquisadora também demonstra o impacto pessoal dessas desigualdades. Ela destaca que sua trajetória, da periferia à função pública, é um exemplo de rompimento dessas barreiras, mas que mais políticas estruturais são necessárias para ampliar as oportunidades e reduzir as desigualdades enfrentadas pelas mães solo.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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