O colapso do Banco Master em novembro de 2025 destacou

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O colapso do Banco Master em novembro de 2025 destacou limites importantes da garantia oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos investidores do país. Cerca de 800 mil pessoas foram afetadas, e a situação expôs falhas no modelo de segurança para aplicações financeiras em bancos menores ou em crise.

Marina*, de 27 anos, investiu R$ 10 mil em CDBs do Banco Master após buscar orientações em ferramentas online, atraída pela promessa de alta rentabilidade e resgate rápido. Com a liquidação da instituição, perdeu acesso ao dinheiro, que só foi ressarcido após acionamento do FGC, em um processo que durou menos de 24 horas. Outros clientes, porém, ainda aguardam o pagamento.

O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com limite total de R$ 1 milhão a cada quatro anos, incluindo rendimentos acumulados. Criado em 1995 para proteger o sistema financeiro, ele funciona como uma espécie de seguro contra falências bancárias, mas não elimina todos os riscos.

Especialistas ressaltam que o Fundo foi utilizado por bancos, corretoras e fintechs como argumento de venda, reduzindo a percepção de risco em CDBs e outros produtos de renda fixa indicados a investidores leigos. Essa prática obscurou a exposição real e contribuiu para uma confiança excessiva nessas aplicações.

Alexandre Gonçalves, de 29 anos, aplicou R$ 15 mil em CDBs do Banco Master após receber campanhas promovendo uma combinação entre “segurança e rentabilidade”. Ele relata que a espera pelo ressarcimento foi de meses e que o retorno financeiro final ficou abaixo do esperado quando consideradas a inflação e o tempo parado.

Advogados comentam que houve possível quebra do dever fiduciário por parte das corretoras e bancos, que deveriam agir no melhor interesse dos clientes. A falha na comunicação transparente sobre os riscos envolveu a responsabilidade das instituições intermediárias e gerou impacto econômico para os investidores.

Até o momento, o FGC já pagou cerca de R$ 37,2 bilhões a 653 mil credores do Banco Master, o que representa 84% dos beneficiários. O total estimado para ressarcimento, incluindo os bancos Will Bank e Pleno, ultrapassa R$ 51 bilhões. Os pagamentos pendentes exigem comprovação documental e envolvem casos específicos, como menores de idade e inventários.

Para recompor os recursos usados, o FGC pretende antecipar contribuições mensais dos bancos associadas e criar cobranças extras às instituições financeiras. Também negocia com o Banco Central a possibilidade de utilizar parte do compulsório para reforçar o fundo, buscando evitar maior pressão sobre o sistema.

A discussão inclui a necessidade de reformular o modelo de contribuição, que atualmente cobra uma taxa fixa de 0,01% sobre depósitos cobertos, com recente aumento para 0,02% em bancos mais arriscados. Especialistas defendem que a contribuição deveria refletir o grau de risco de cada instituição, para desencorajar práticas perigosas.

Críticos afirmam que as medidas adotadas até agora apenas elevam custos para bancos arriscados, sem criar mecanismos que incentivem os clientes a avaliar com mais cuidado as instituições nas quais investem. Isso mantém a possibilidade de novos casos similares no futuro.

O impacto do colapso do Banco Master ultrapassa o prejuízo imediato dos investidores, atingindo consumidores em geral pelo possível aumento de tarifas, juros e redução nos rendimentos financeiros. Bancos e fintechs podem adotar uma postura mais cautelosa na concessão de crédito para suprir os maiores custos do sistema.

Neste cenário, especialistas alertam que as perdas acabam recaindo sobre os consumidores e investidores mais vulneráveis, enquanto os controladores das instituições não sentem diretamente o impacto da liquidação.

*Nome fictício para preservar identidade.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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