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Músicas geradas por inteligência artificial (IA) se tornaram

Músicas geradas por inteligência artificial (IA) se tornaram
  • Publishedfevereiro 25, 2026

Músicas geradas por inteligência artificial (IA) se tornaram uma presença crescente nas plataformas de streaming em 2024, gerando preocupação no setor musical devido a fraudes que comprometem o pagamento de royalties a artistas reais. De acordo com dados da Deezer, por exemplo, 39% das faixas enviadas diariamente à plataforma são produzidas por IA, e cerca de 85% dos streams dessas músicas são classificados como fraudulentos, resultando em perdas para músicos profissionais.

A proliferação de músicas e artistas criados por IA facilita a produção em massa e impulsiona fraudes no streaming musical. Muitos dos plays dessas faixas não são orgânicos, mas gerados por robôs ou por redes de ouvintes falsos que inflacionam as estatísticas para burlar o sistema de pagamento de direitos autorais. A Deezer interrompe o pagamento a autores quando identifica fraude, enquanto o Spotify, apesar de não divulgar números específicos, informa ter removido 75 milhões de faixas consideradas spam no último ano.

Especialistas alertam que o uso da IA facilita o envio em massa de músicas com baixa qualidade ou técnicas de manipulação, como truques de SEO e faixas curtas. Essas práticas distorcem a distribuição de royalties, que funciona como uma divisão proporcional conforme o número de streams. Assim, a existência de streams irregulares reduz o valor recebido por artistas legítimos.

Algumas plataformas começam a implementar medidas para identificar e mitigar os impactos desse fenômeno. O Spotify planeja lançar um sistema para filtrar e rotular faixas geradas por IA, evitando sua recomendação em playlists, enquanto a Deezer já comercializa uma ferramenta de detecção própria para combater fraudes. Além disso, a Deezer é atualmente a única a informar explicitamente se uma música foi criada por IA, buscando oferecer transparência aos usuários.

No entanto, o debate sobre o uso da IA na música não se limita a fraudes. A inteligência artificial também está integrada ao processo criativo e tem sido utilizada para gerar hits no Brasil, como a faixa “Sina de Ofélia”, uma releitura não autorizada criada com vocais sintetizados de artistas conhecidos, ou as canções humorísticas do selo Blow Records, que mistura influências retrô e meméticas. Também existem bandas e artistas virtuais que figuram nas paradas de sucesso, mesmo sem existência física.

Apesar da popularidade de artistas gerados por IA, a maioria dessas músicas representa entre 1% e 3% dos streams totais nas plataformas, segundo a Deezer. Uma pesquisa recente revela resistência do público a aceitar músicas criadas com ajuda da IA, com mais da metade dos entrevistados nos Estados Unidos afirmando que evitariam canções desse tipo de seus artistas favoritos. Paralelamente, outro estudo aponta a dificuldade das pessoas em distinguir faixas produzidas por IA das feitas por músicos humanos.

O crescimento das produções musicais geradas por IA apresenta desafios ainda em evolução para a indústria. O equilíbrio entre inovação tecnológica, proteção dos direitos autorais e remuneração justa aos artistas reais segue sendo questão central para plataformas, produtores e usuários.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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