Produtores de macadâmia em São Paulo esperam um

Produtores de macadâmia em São Paulo esperam um aumento de 50% na safra de 2026 após a colheita do ano anterior registrar uma queda de 80%, impactada pelas condições climáticas desfavoráveis. A região de Dois Córregos, principal área de cultivo no país, segue o processo de colheita entre fevereiro e setembro, enfrentando desafios relacionados ao clima.
A macadâmia, noz originária da Austrália, chegou ao Brasil na década de 1970, inicialmente em São Paulo. O amadurecimento do fruto ocorre de dentro para fora, com a casca externa verde ocultando a maturação interna. Após cerca de 15 dias do amadurecimento, o fruto começa a cair e, em uma semana, a casca entreaberta permite o início da colheita.
O produtor Thomas Augusto Magro explicou que o inverno de 2024 foi marcado por altas temperaturas e baixos índices de chuva durante a florada da macadâmia, o que prejudicou a produção. “Quando chegou o inverno com temperaturas elevadas, a flor acabou queimando com a intensidade do sol, e tivemos uma quebra de praticamente 80% na safra”, destacou.
Além de seu uso na culinária, a macadâmia é valorizada em produtos cosméticos devido a seu conteúdo nutricional, que inclui fibras, proteínas e vitaminas. Historicamente, 60% da produção brasileira era exportada, mas, nos últimos anos, o mercado interno tem registrado crescimento, impulsionando a renda de famílias ligadas ao cultivo.
Luciana Maria da Silva, que migrou de Pernambuco para trabalhar na colheita, relatou que a atividade é sua principal fonte de rendimento. “É daqui que sai a minha renda. Meu primeiro trabalho foi na colheita da macadâmia”, afirmou.
Em Bocaina, produtor Edwin Montenegro adotou a macadâmia orgânica há cinco anos, deixando de usar defensivos químicos desde 2022. Ele ressaltou que a prática trouxe benefícios ambientais e valorização do produto no mercado. “Com essa sintonia com a natureza, percebemos uma valorização do produto”, explicou.
Após a colheita, a noz passa por várias etapas na indústria, como quebra, separação da casca, seleção, limpeza, torra, pesagem e embalagem, visando garantir qualidade até o consumidor final. Montenegro ressaltou a importância do clima para a safra atual e demonstrou otimismo. “A safra desse ano, graças à chuva, está bem melhor. A gente estima que a gente vai aumentar em torno de 50%”, concluiu.
A expectativa do setor é que a combinação de melhores condições climáticas e o aumento da demanda interna contribua para a recuperação da produção de macadâmia no Brasil após o recuo de 2025.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com