O número de navios comerciais abandonados, especialmente pet

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O número de navios comerciais abandonados, especialmente petroleiros, aumentou significativamente ao longo do último ano em diversas regiões do mundo, afetando diretamente a vida dos marinheiros mercantes a bordo. A situação está ligada a fatores como instabilidade geopolítica, sanções internacionais e práticas irregulares envolvendo embarcações registradas em bandeiras de conveniência.

Uma tripulação russa permanece a bordo de um petroleiro abandonado em águas internacionais próximas à China desde novembro de 2024. O navio transporta cerca de 750 mil barris de petróleo cru russo, avaliado em aproximadamente US$ 50 milhões, e está impedido de entrar em portos chineses devido ao escrutínio sobre a embarcação. Os tripulantes não recebem salários há meses e enfrentam falta de alimentos e condições precárias, segundo relato de Ivan (nome fictício), funcionário sênior de convés.

A International Transport Workers’ Federation (ITF) identificou que, em 2016, 20 navios foram abandonados mundialmente. Em 2025, esse número saltou para 410 embarcações, com 6.223 marinheiros diretamente afetados, representando um aumento de quase um terço em relação a 2024. A ITF interveio em alguns casos para garantir o pagamento de salários, o fornecimento de suprimentos básicos e a repatriação parcial de tripulantes.

A elevação no abandono de navios está associada a conflitos internacionais, desregulamentações e à pandemia de covid-19, que desestabilizaram as cadeias de suprimentos e elevaram os custos de frete. Outro elemento apontado é o crescimento das chamadas “frotas fantasmas”, compostas em geral por embarcações antigas e obscurecidas, registradas em países com baixa fiscalização regulatória, chamadas bandeiras de conveniência.

Essas frotas contribuem para operações que buscam driblar sanções impostas à exportação de petróleo por países como Rússia, Irã e Venezuela. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, a Rússia enfrenta sanções restritivas ao preço do petróleo. No entanto, ainda exporta para países como China e Índia, embora esta última tenha se comprometido a reduzir compras em acordo recente com os EUA.

Bandeiras de conveniência são registros feitos em países que aplicam regulações simplificadas, muitas vezes evitando controles e responsabilidades legais das embarcações. Panamá, Libéria e Ilhas Marshall são os principais países que emitem esse tipo de registro, junto com a Gâmbia, que recentemente aumentou o número desses registros, apesar de não possuir estrutura para fiscalização adequada.

Em 2025, 82% dos navios abandonados navegavam sob bandeiras de conveniência. A precarização e os riscos operacionais dessas embarcações expõem as tripulações a situações de vulnerabilidade, falta de proteção e atrasos salariais. A Organização Marítima Internacional define como abandono a situação em que armadores deixam de pagar salários, custos de repatriação ou apoio essenciais aos tripulantes por dois meses ou mais.

De acordo com a ITF, os marinheiros abandonados em 2025 tinham salários atrasados que somavam cerca de US$ 25,8 milhões. A federação conseguiu recuperar aproximadamente US$ 16,5 milhões desse montante para os trabalhadores. A nacionalidade mais impactada foi a indiana, com 1.125 marinheiros afetados, seguida dos filipinos e sírios.

O governo da Índia colocou em 2024 na lista negra diversas embarcações envolvidas em casos de abandono e violações de direitos trabalhistas. Investigações apontaram que muitos navios têm proprietários difíceis de rastrear e bandeiras que dificultam a responsabilização legal.

Líderes sindicais do setor marítimo criticam a falta de responsabilidade dos Estados que concedem bandeiras de conveniência, o que cria um ambiente propício ao abandono de navios. Eles defendem um vínculo mais firme entre os proprietários dos navios e os países onde as embarcações são registradas, algo previsto na legislação internacional, mas aplicado de forma inconsistente.

O petroleiro onde Ivan está preso navegava originalmente sob uma bandeira gambiana falsa, sem reconhecimento oficial, sendo posteriormente transferido para outro país africano que abriu investigação sobre a embarcação. A expectativa é que apenas a transferência da carga para outra embarcação em alto-mar possa resolver a situação.

Marinheiros como Ivan relatam que, após essa experiência, passarão a adotar mais cautela ao escolher quais navios trabalharão, buscando informações sobre condições, pagamentos e sanções, utilizando fontes disponíveis na internet.

O aumento de navios abandonados evidencia a necessidade de maior cooperação internacional para proteger os trabalhadores do mar, especialmente diante do papel das “frotas fantasmas” nas cadeias de suprimento de petróleo de países sob sanções.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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