Veículos da Tesla circulam no Brasil mesmo sem

Veículos da Tesla circulam no Brasil mesmo sem vendas oficiais da marca no país, por meio da importação independente, procedimento que permite pessoas físicas ou jurídicas trazerem carros para uso próprio. O processo envolve diversas etapas legais e fiscais, além de custos elevados, e segue regras estabelecidas pelo programa Mover e órgãos como Ibama, Denatran e Receita Federal.
A importação independente exige que o veículo seja considerado “novo”, com baixa quilometragem, geralmente abaixo de 300 km para aprovação alfandegária. Documentos que comprovem a compatibilidade da renda do comprador também são necessários. A licença de importação deve ser emitida pelo Ibama, que avalia se o carro atende aos padrões ambientais brasileiros, incluindo emissões e ruído.
Além do Ibama, o Denatran emite o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT), que confirma que o veículo atende às normas brasileiras. Após a obtenção dessas autorizações, o importador deve registrar a Declaração de Importação no Sistema de Comércio Exterior vinculado à Receita Federal. Esse conjunto de procedimentos pode levar até 90 dias para ser concluído.
Para veículos a diesel, as exigências ambientais são mais rigorosas, podendo causar impedimentos na importação se não forem cumpridas. Carros elétricos, como os da Tesla, tendem a ter menos problemas quanto à homologação, desde que novos e em conformidade com as regras.
O custo para importar um veículo de cerca de US$ 100 mil pode variar entre R$ 80 mil e R$ 120 mil em taxas de aduana e transporte, sem incluir impostos. Ao somar pesados impostos como Imposto de Importação, IPI e ICMS, o preço final do carro no Brasil pode praticamente dobrar. Por exemplo, uma Tesla Cybertruck vendida oficialmente nos EUA por US$ 115 mil foi importada e comercializada no Brasil por aproximadamente R$ 900 mil.
Após a regularização, o veículo deve ser registrado e emplacado no Detran como qualquer outro carro nacional. No entanto, a garantia do fabricante pode não ser válida para veículos importados independentemente, o que dificulta o acesso a serviços oficiais de manutenção e peças. Clientes normalmente recorrem a oficinas especializadas e importam peças separadamente, processo que pode levar cerca de 30 dias.
Além disso, carros importados podem não ser totalmente compatíveis com o combustível brasileiro, que contém alta concentração de etanol, o que pode afetar componentes sensíveis. A adaptação da suspensão ao piso brasileiro também pode ser insuficiente, já que esses detalhes não são considerados no projeto original do veículo.
A importação independente é mais comum entre consumidores que buscam modelos de luxo ou configurações não disponíveis oficialmente no Brasil, como Tesla, Cadillac e Hummer. Também são citados veículos customizados de marcas como Mercedes-Benz e picapes norte-americanas. Embora algumas dessas marcas tenham operação no Brasil, os carros importados por conta própria não ficam sob responsabilidade direta das fabricantes.
Diante dos custos, prazos e complexidade do processo, a importação independente é indicada principalmente para modelos exclusivos ou personalizados, onde o valor agregado e a raridade justificam os desafios envolvidos.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com