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O brasileiro Francisco Rodrigues, pesquisador da Universidad

O brasileiro Francisco Rodrigues, pesquisador da Universidad
  • Publishedfevereiro 12, 2026

O brasileiro Francisco Rodrigues, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), recebeu em janeiro o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel da Fundação Alexander von Humboldt, da Alemanha, por seu trabalho no uso de inteligência artificial (IA) para diagnosticar transtornos mentais. A pesquisa utiliza algoritmos capazes de identificar condições como epilepsia, autismo e esquizofrenia a partir de imagens de ressonância magnética, com mais de 90% de precisão em testes laboratoriais.

A técnica desenvolvida por Rodrigues baseia-se em métodos de aprendizagem de máquina aplicados à análise de imagens cerebrais para detectar alterações relacionadas a diferentes transtornos. Os resultados foram publicados em revistas científicas como Nature e PLOS One. Segundo o pesquisador, o sistema pode auxiliar psicólogos e psiquiatras na identificação precoce de doenças que hoje dependem exclusivamente de avaliações clínicas e testes subjetivos.

O processo tradicional de diagnóstico envolve a análise do histórico dos pacientes e a aplicação de testes específicos, mas não existe um marcador biológico direto para transtornos mentais, diferentemente de doenças como o diabetes. A proposta da pesquisa é que, no futuro, exames do cérebro possam indicar, de forma objetiva, a presença de condições como depressão ou esquizofrenia, especialmente em estágios iniciais.

Rodrigues destaca que a coleta de dados para treinar os algoritmos é um dos maiores desafios. As imagens de ressonância magnética e as medições de eletroencefalograma (EEG) são difíceis de obter, especialmente de pacientes com transtornos que dificultam longos períodos de imobilidade. Por isso, os estudos têm se baseado em bancos de dados internacionais, como os dos Estados Unidos, que oferecem maior diversidade e volume de informações.

O prêmio recebido inclui apoio financeiro no valor de 60 mil euros para que Rodrigues conduza sua pesquisa na Alemanha, onde há acesso a técnicas avançadas, como o uso de minicérebros – modelos feitos a partir de células extraídas do córtex cerebral de embriões animais. Esses organoides permitem a observação da atividade neuronal em ambientes controlados, oferecendo dados valiosos para simular redes neurais e testar a resposta a medicamentos.

A colaboração com instituições alemãs ocorre desde 2011, quando Rodrigues iniciou trabalhos conjuntos com a Universidade de Ciências Aplicadas de Aschaffenburg. Durante o período na Alemanha, programado até o final de 2026, ele também ministrará cursos relacionados a sistemas complexos e aprendizagem de máquina, nas instalações da Fundação Humboldt, em Frankfurt.

Apesar dos avanços, o pesquisador ressalta que um método padrão para diagnóstico e previsão dos transtornos mentais ainda deve levar cerca de dez anos para ser implementado. A operacionalização depende da ampliação da base de dados, ajustes nos protocolos de coleta e aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Dados oficiais mostram que o número de brasileiros com diagnósticos de transtornos mentais é significativo: cerca de 2,4 milhões com transtorno do espectro autista (TEA), 1,6 milhão com esquizofrenia entre 15 e 44 anos, e 1,7 milhão com demências após os 60 anos, inclusive Alzheimer e Parkinson. O desenvolvimento de ferramentas baseadas em IA pode representar uma mudança no enfrentamento dessas condições.

Em resumo, o trabalho de Francisco Rodrigues avança na aplicação da inteligência artificial para diagnósticos mais precisos e precoces em transtornos mentais. O reconhecimento internacional pelo prêmio Humboldt reforça a importância da cooperação científica entre Brasil e Alemanha para o desenvolvimento de tecnologias que atendam às demandas da área da saúde mental.

Palavras-chave: inteligência artificial, transtornos mentais, diagnóstico, Francisco Rodrigues, USP, Fundação Alexander von Humboldt, aprendizagem de máquina, ressonância magnética, minicérebros, saúde mental, esquizofrenia, autismo, neurociência.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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