O cantor porto-riquenho Bad Bunny se apresentará no

O cantor porto-riquenho Bad Bunny se apresentará no show de intervalo do Super Bowl neste domingo (8), tornando-se o primeiro artista a gravar todos os seus álbuns em espanhol a se apresentar no evento esportivo mais assistido dos Estados Unidos. Com 31 anos, ele ganhou destaque internacional ao longo da última década, alcançando recordes na indústria musical e assumindo uma posição política e cultural significativa em Porto Rico.
Benito Antonio Martínez Ocasio, nome de nascimento do artista, iniciou sua carreira em uma cidade litorânea modesta de Porto Rico chamada Vega Baja, onde trabalhava como empacotador em supermercado enquanto compartilhava suas primeiras músicas na plataforma SoundCloud. Sem conexões na indústria, ele buscava espaço na música urbana latina, misturando ritmos tradicionais do Caribe com trap e reggaeton.
Em 2023, Bad Bunny fez história ao conquistar o Grammy de melhor álbum com “Un Verano Sin Ti”, o primeiro disco totalmente em espanhol a receber o prêmio. O álbum se tornou o mais reproduzido na história do Spotify, com mais de 15 bilhões de streams. Ele foi o artista mais ouvido mundialmente na plataforma por quatro anos consecutivos, superando nomes como Drake e Taylor Swift.
O cantor combina inovação musical com uma forte conexão à cultura porto-riquenha. Suas letras abordam temas variados, desde questões sociais como os apagões constantes em Porto Rico e a gentrificação até temas pessoais e sexuais. Para parte da população da ilha, onde apenas cerca de 22% falam inglês fluentemente, sua música em espanhol é vista como um símbolo de resistência cultural.
Além da música, Bad Bunny tem se envolvido em causas políticas. Participou dos protestos de 2019 em Porto Rico, apoiou movimentos independentistas e criticou políticas migratórias dos Estados Unidos. Em 2023, exibiu uma mensagem contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) na cerimônia do Grammy. Por outro lado, sua postura gerou críticas, inclusive do ex-presidente Donald Trump, que considerou sua participação no Super Bowl “absolutamente ridícula”.
No âmbito da identidade de gênero, Bad Bunny rompeu paradigmas tradicionais da música urbana por meio de sua estética e comportamentos públicos, como o uso de esmalte e a defesa dos direitos femininos em músicas como “Yo Perreo Sola”. Apesar disso, especialistas apontam contradições em algumas de suas obras, que misturam mensagens feministas e elementos considerados misóginos.
A influência de Bad Bunny ultrapassa a música, fazendo dele um ícone da moda. Ele tem figurado em eventos como o Met Gala e incorporado símbolos históricos de Porto Rico em seu figurino, como a pava, um chapéu usado por camponeses durante a colonização espanhola. Essa imagem reforça sua representação como porta-voz da cultura porto-riquenha para o mundo.
Seu sucesso demonstra a capacidade de transformar elementos culturais locais em fenômenos globais. Leila Cobo, diretora editorial da Billboard, destaca que Bad Bunny diversificou o gênero urbano ao integrar instrumentos acústicos e ritmos tradicionais caribenhos, expandindo o alcance da música latina. Sua apresentação no Super Bowl o coloca ao lado de outros artistas latinos que já se apresentaram no evento, como Shakira e Gloria Estefan.
A atuação de Bad Bunny no Super Bowl ocorre em um contexto de tensão migratória nos Estados Unidos e diante de uma audiência que pode não compreender totalmente suas letras em espanhol. Ainda assim, seu público global e a repercussão de sua carreira evidenciam a importância da música como ferramenta cultural e política.
Com uma trajetória marcada por recordes, prêmios e inovação, Bad Bunny consolidou seu lugar na história da indústria musical e da cultura latina, reforçando Porto Rico no cenário internacional através de sua arte e ativismo.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com