Autoridades da cidade japonesa de Fujiyoshida, próxima ao Monte Fuji, cancelaram o festival das cerejeiras em flor deste ano devido ao crescimento descontrolado do número de turistas, que passou a comprometer a qualidade de vida dos moradores locais.
O evento realizado há dez anos no parque Arakurayama Sengen costumava atrair cerca de 10 mil visitantes diariamente no pico da estação da sakura, elevando o turismo a níveis que a cidade, com aproximadamente 44 mil habitantes, não consegue mais administrar. O prefeito Shigeru Horiuchi afirmou que a decisão visa proteger a dignidade e o bem-estar da população diante da situação considerada crítica.
Nos últimos anos, a cidade vem enfrentando problemas como lixo acumulado, congestionamentos e invasões em propriedades privadas. Moradores relataram casos de turistas que entravam sem permissão para usar banheiros, além de episódios em que quintais foram invadidos e até utilizados para defecar. Essas condutas contribuíram para um clima de insatisfação entre os residentes e levaram à revisão das políticas de acolhimento dos visitantes.
A popularidade do festival e da região tem crescido devido a fatores como a valorização do iene favorável aos estrangeiros e a disseminação de imagens da sakura e do Monte Fuji nas redes sociais. O parque Arakurayama Sengen, conhecido por sua vista panorâmica e pontos considerados “instagramáveis”, tem atraído um público cada vez maior, principalmente durante a primavera.
Apesar do cancelamento do festival, a prefeitura afirma que se prepara para o aumento esperado no fluxo de turistas nos meses seguintes e implementa medidas para reduzir os problemas associados. Entre as recomendações está o respeito às normas locais, como permanecer nas vias públicas durante as fotografias, como indicado em placas bilíngues instaladas na cidade.
Essa não é a primeira vez que autoridades do Japão precisam agir para conter o turismo excessivo. Em 2024, as autoridades de Fujikawaguchiko, cidade vizinha, instalaram uma barreira para limitar o acesso a um ponto icônico de fotografia do Monte Fuji, após reclamações dos moradores sobre lixo e estacionamento irregular por parte dos turistas.
O fenômeno do turismo excessivo e seu impacto negativo na vida local não se limita ao Japão. Em fevereiro de 2024, a Itália passou a cobrar ingresso para acessar a área da Fontana di Trevi, em Roma, visando controlar a quantidade de visitantes e arrecadar fundos para a manutenção do monumento. Em Veneza, visitantes de um dia também enfrentam taxas para entrar na cidade em determinados períodos.
A crescente pressão turística em destinos culturais e naturais tem levado governos a adotarem medidas para equilibrar o recebimento de visitantes com a preservação do patrimônio e a qualidade de vida das comunidades locais. O caso de Fujiyoshida evidencia os desafios que cidades turísticas enfrentam ao tentar conciliar atratividade com sustentabilidade.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

