No Oscar de 2004, o filme brasileiro “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles, recebeu quatro indicações inéditas para uma produção nacional. Nesta quinta-feira (22), o filme “O agente secreto” igualou o feito durante a divulgação dos indicados ao Oscar 2026, que também contou com mais uma indicação para Adolpho Veloso, diretor de fotografia de “Sonhos de trem”.
Lançado em 2002, “Cidade de Deus” não foi indicado em 2003 na categoria de melhor filme internacional, contrariando a expectativa de muitas pessoas e gerando a ideia de que a Academia Brasileira de Cinema teria esnobado o longa. Na verdade, a escolha do Brasil recaiu justamente sobre “Cidade de Deus”, mas a seleção final para a indicação dependia dos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsáveis pela votação internacional.
A seleção perante a Academia americana não contemplou o filme em 2003, segundo Fernando Meirelles, porque o público votante daquela categoria era majoritariamente composto por pessoas mais velhas com preferência por filmes tradicionais. A faixa etária dos votantes, segundo Meirelles, estava entre 50 e 60 anos, e “Cidade de Deus” não agradou a esse grupo.
A comissão brasileira que indicou o filme em 2002 era formada por cineastas como Guilherme de Almeida Prado, Walter Lima Júnior, Zita Carvalhosa e Maria do Rosário Caetano. Almeida Prado afirmou que a escolha foi unânime, com membros que consideravam o filme a melhor opção daquele ano. Segundo ele, Walter Lima Júnior enviou seu voto por escrito, destacando a unanimidade em torno do longa.
No entanto, para concorrer em outras categorias além de melhor filme internacional, o filme precisava ser exibido nos Estados Unidos no ano anterior à premiação. Caso “Cidade de Deus” tivesse sido indicado na categoria internacional em 2003, não teria sido elegível para as indicações em outras categorias no ano seguinte. A estratégia, portanto, acabou beneficiando a produção brasileira, que conquistou indicações em direção, roteiro adaptado, montagem e fotografia em 2004.
A campanha para o Oscar foi impulsionada pelo investimento da Miramax, distribuidora internacional do filme, fundada pelos irmãos Bob e Harvey Weinstein, este último com ampla influência nas premiações hollywoodianas na época. Bráulio Mantovani, roteirista do filme, relembrou que Harvey Weinstein antecipou algumas indicações a Meirelles, ainda que tenha subestimado a presença do longa entre as indicações.
A ausência de “Cidade de Deus” entre os indicados a melhor filme internacional em 2003 segue sendo considerada uma das maiores controvérsias da história do Oscar internacional. O filme havia conquistado diversos prêmios internacionais e recebido destaque em festivais, como o Festival de Cannes.
O Oscar 2026 será marcado por um novo protagonismo brasileiro, com múltiplas indicações, o que não acontecia desde o reconhecimento alcançado por “Cidade de Deus”. Essa nova fase indica maior presença da produção nacional nas disputas da Academia americana, ampliando o alcance do cinema brasileiro no cenário global.
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Fonte: g1.globo.com
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