As retiradas nas cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 23,5 bilhões em janeiro, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (6). O movimento ocorreu em meio a gastos típicos do início do ano, como pagamentos de impostos e despesas escolares, além da baixa atratividade da poupança diante de outras opções de investimento.
Em janeiro, os depósitos na poupança totalizaram R$ 331,23 bilhões, enquanto as retiradas chegaram a R$ 354,74 bilhões. Com isso, o saldo total aplicado na poupança caiu de R$ 1,02 trilhão em dezembro para R$ 1 trilhão ao final de janeiro.
A saída líquida de recursos em janeiro é um fenômeno recorrente e já foi observada nos anos anteriores. Essa época do ano coincide com compromissos financeiros regulares das famílias, como matrícula escolar, material didático, IPVA, IPTU em algumas cidades, parcelas de compras de Natal e gastos com férias.
O Banco Central também revelou que a inadimplência bancária atingiu níveis recordes no ano passado, mantendo o endividamento das famílias elevado. Devido a esse cenário, o custo do crédito permanece alto, com a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano — o maior patamar em duas décadas.
A poupança perde competitividade diante de outras formas de investimento. Títulos públicos, papéis de empresas e aplicações atreladas ao CDI têm apresentado melhores resultados, atraindo parte dos investidores que buscam maior rentabilidade.
O mercado de renda variável também teve recuperação expressiva em 2025. O índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrou alta de 34% no ano passado, o maior avanço anual desde 2016, evidenciando maior interesse por ativos de maior risco e potencial retorno.
No Brasil, as regras de rendimento da poupança limitam seus ganhos quando a Selic ultrapassa 8,5% ao ano. Nessa situação, a rentabilidade é de 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR), indicador calculado com base nos títulos públicos prefixados. Atualmente, com a Selic em 15%, a poupança oferece retorno inferior a outras modalidades de investimento.
O saldo negativo da poupança em janeiro reflete essas condições econômicas e o comportamento financeiro dos brasileiros, que direcionam recursos para cobrir despesas sazonais e buscam melhores alternativas de aplicação diante da elevação dos juros e do cenário de endividamento.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

