As retiradas da caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 85,6 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (9). Este é o quinto ano consecutivo de saída líquida de recursos da poupança, atingindo o maior volume desde 2023.
Em 2025, os depósitos na poupança somaram R$ 4,27 trilhões, enquanto as retiradas chegaram a R$ 4,36 trilhões. Como resultado, o estoque total de recursos aplicados caiu para R$ 1,02 trilhão no final do ano, ante R$ 1,03 trilhão em dezembro de 2024. Os rendimentos creditados também influenciaram o saldo das contas.
A queda no volume da poupança impacta o crédito imobiliário, pois 65% dos recursos captados por meio desta modalidade são obrigatoriamente destinados ao financiamento da casa própria. Diante da estagnação dos depósitos e da alta demanda por crédito, o governo anunciou, em outubro, a eliminação gradual do direcionamento obrigatório e dos depósitos compulsórios vinculados à poupança.
Essa medida busca liberar recursos atualmente retidos no Banco Central, ampliando a oferta de crédito imobiliário. O ajuste faz parte de um novo modelo de financiamento habitacional, alinhado ao cenário econômico vigente.
A maior retirada de recursos da poupança ocorreu em um contexto de juros elevados, com a taxa Selic no patamar de 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Além disso, a inflação mantém-se persistente, enquanto inadimplência e endividamento das famílias apresentam elevações.
Segundo dados do BC, a taxa média de inadimplência nas operações de crédito bancário ficou em 3,8% em novembro, próxima ao recorde histórico de 4%, observado desde março de 2011. Já o endividamento das famílias atingiu 49,3% da renda acumulada em 12 meses até outubro, o maior valor desde novembro de 2022.
A poupança tem apresentado baixa atratividade diante de outras opções financeiras. Aplicações em renda fixa, como títulos públicos e CDBs, têm oferecido retornos superiores. A renda variável também mostrou recuperação em 2025, com o índice da Bolsa de Valores de São Paulo subindo 34% no ano, a maior alta anual desde 2016.
Pela regra atual, quando a Selic ultrapassa 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é fixado em 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Com a Selic em 15% ao ano, essa limitação reduz a competitividade do investimento.
Especialistas destacam que a limitação do rendimento torna a poupança uma opção mais adequada para liquidez imediata e curto prazo. Para proteção e maior rentabilidade, outras alternativas de renda fixa são recomendadas.
Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, afirma que o Tesouro Selic deve ser o substituto natural da poupança, oferecendo liquidez diária, baixo risco e acompanhamento mais eficiente da taxa básica de juros. CDBs de bancos médios com liquidez diária, que pagam entre 100% e 110% do CDI, também ganham espaço.
Para médio e longo prazo, Boragini indica títulos Tesouro IPCA+ e prefixados como os principais protagonistas do mercado. Em ambiente de juros mais baixos, com expectativa de queda da Selic em 2026, a renda variável pode voltar a atrair investidores, embora envolva maior risco.
Ele também ressalta que fundos imobiliários, isentos de Imposto de Renda, devem receber mais aportes em 2026 pela geração de renda mensal. Entretanto, enfatiza a importância de avaliar riscos, especialmente após o episódio do banco Master, lembrando que retornos mais altos nem sempre são adequados para todos os perfis.
A perspectiva para 2026 aponta para maior volatilidade no mercado financeiro, influenciada pelas eleições presidenciais. Boragini destaca que pesquisas eleitorais devem causar oscilações expressivas na bolsa, exigindo cautela dos investidores.
Em resumo, a caderneta de poupança segue perdendo relevância como investimento diante do cenário econômico e das alternativas disponíveis. Reformas nas regras do crédito imobiliário e o contexto de juros altos moldam as escolhas dos investidores para o próximo ano.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com
