Mais da metade dos trabalhadores brasileiros enfrenta pressão crescente, pouco reconhecimento e desgaste emocional no ambiente de trabalho, revela a pesquisa global Work Relationship Index, realizada pela HP em 2025. O estudo audiu 1,3 mil profissionais no Brasil e mostra um cenário de desequilíbrio nas relações laborais.
A pesquisa indica que apenas 29% dos trabalhadores brasileiros estão na “Zona Saudável”, índice que, apesar de baixo, ainda supera a média global. Por outro lado, 34% dos profissionais brasileiros estão na “Zona Crítica”, número que subiu 9% em relação a 2024, refletindo um aumento do desgaste emocional.
Os trabalhadores também podem estar na “Zona de Atenção”, estágio intermediário com sinais iniciais de alerta sobre o ambiente de trabalho. Essas categorias são baseadas na avaliação dos próprios profissionais sobre sua relação com o trabalho.
A pressão diária se mostra clara: 71% dos entrevistados afirmam que as exigências e expectativas das empresas aumentaram no último ano, enquanto 39% percebem que as organizações priorizam o lucro em detrimento das pessoas. Esse desequilíbrio contribui para o desgaste e a insatisfação no ambiente profissional.
Outro ponto levantado pela pesquisa é a insatisfação com o modelo de trabalho. Cerca de 68% dos profissionais gostariam de reduzir os dias de trabalho presencial no escritório, indicando um descompasso entre o desejo por flexibilidade e as políticas adotadas pelas empresas.
A tecnologia aparece como aliada na tentativa de minimizar o desgaste. Para 88% dos brasileiros, ferramentas digitais ajudam a equilibrar melhor as demandas entre vida profissional e pessoal. O uso de inteligência artificial (IA) já é rotina para 90% dos profissionais, reforçando o papel crescente da tecnologia no ambiente corporativo.
No entanto, o acesso à IA é desigual. Entre líderes de TI, 49% utilizam inteligência artificial diariamente, enquanto essa proporção cai para 25% entre trabalhadores de escritório. A oferta de treinamento para uso da IA também diminuiu, de 79% em 2024 para 67% em 2025.
O relatório ainda destaca que o uso diário de IA está associado a uma experiência mais saudável no trabalho. Entre os trabalhadores na “Zona Saudável”, 44% utilizam inteligência artificial regularmente, enquanto o percentual é menor na “Zona Crítica”.
A pressão é mais intensa entre os jovens da Geração Z, que priorizam flexibilidade, autonomia e acesso à tecnologia em detrimento do salário. Segundo a pesquisa, 90% desses profissionais aceitariam ganhar menos em troca dessas condições, demonstrando uma mudança de valores em relação às gerações anteriores.
Além disso, 57% dos jovens já possuem uma fonte de renda extra, estratégia que ajuda a enfrentar a pressão financeira e buscar maior controle sobre o tempo, além de fugir do modelo de trabalho considerado rígido e pouco recompensador.
A convivência entre gerações pode ajudar a aliviar tensões. Profissionais das gerações X e Baby Boomers reconhecem o valor da troca intergeracional, especialmente no aprendizado de novas ferramentas digitais e na adoção de formas de trabalho mais colaborativas.
A pesquisa da HP evidencia desafios significativos enfrentados pelos trabalhadores brasileiros, entre eles a pressão contínua, o baixo reconhecimento e o crescimento do desgaste emocional, que impactam diretamente a saúde mental e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
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Palavras-chave: trabalho no Brasil, desgaste emocional, pressão no trabalho, saúde mental, inteligência artificial, tecnologia no trabalho, flexibilização laboral, Geração Z, ambiente corporativo, pesquisa HP.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

