As empresas estatais federais registraram um déficit de

As empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 5,13 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (30). Esse resultado representa o segundo pior rombo da série histórica, iniciada em 2002, e pressionou as contas públicas, levando o governo a bloquear R$ 3 bilhões do orçamento do ano.
O déficit indica que as despesas das estatais superaram as receitas geradas no período. Em 2024, o rombo foi maior, atingindo R$ 6,73 bilhões, o recorde anterior. O maior superávit da série foi apurado em 2019, no valor de R$ 10,3 bilhões. A série histórica do Banco Central exclui Petrobras, Eletrobras e empresas do setor financeiro.
Estão incluídas no cálculo empresas como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea. A metodologia usada considera apenas a variação da dívida, uma prática comum em análises fiscais internacionais, diferente do conceito adotado pelo governo, que soma receitas menos despesas sem incluir juros da dívida.
O déficit das estatais tem impacto direto no orçamento federal. O bloqueio de R$ 3 bilhões em 2025 restringe recursos que poderiam ser usados em outras áreas, comprometendo investimentos e despesas públicas.
Entre as estatais com pior desempenho, os Correios apresentaram piora significativa em seu resultado financeiro. A empresa, que detém monopólio em serviços postais como transporte e entrega de correspondências, registrou déficit de mais de R$ 2,5 bilhões em 2024 e acumulava prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro de 2025, podendo chegar a R$ 10 bilhões no ano fechado, resultado ainda não divulgado oficialmente.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, informou que a empresa precisará de um aporte adicional de R$ 8 bilhões em 2026 para enfrentar a crise financeira. A ajuda pode vir por meio de repasses do Tesouro Nacional ou novo empréstimo. Em dezembro, a empresa contratou empréstimo de R$ 12 bilhões para quitar dívidas e aliviar o caixa.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou em entrevista no ano passado que não há planos do governo para privatizar os Correios. Segundo ele, a universalização dos serviços postais dificulta a saída do Estado dessas atividades, que são parcialmente subsidiadas.
Outro caso crítico é o da Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares, que informou estar com o caixa em nível muito baixo. Alexandre Caporal, diretor-presidente interino, alertou que a empresa conseguirá honrar seus compromissos apenas por dois a três meses. O principal problema é a paralisação das obras da usina de Angra 3, que segue consumindo recursos públicos.
Caporal afirmou que a Eletronuclear não pretende solicitar aporte direto do Tesouro, mas depende da suspensão temporária da cobrança de dívidas por parte dos bancos públicos que concederam empréstimos de quase R$ 7 bilhões. Sem essa medida, a empresa não conseguirá se manter financeiramente.
O Ministério da Gestão, responsável pelas estatais, informou ao g1 que, até o terceiro trimestre de 2025, o faturamento das empresas somou R$ 1,02 trilhão, um aumento de 6,3% em relação ao mesmo período de 2024. Também destacou crescimento nos investimentos, que somaram R$ 86,4 bilhões no acumulado de 2025, alta de 34,3% ante 2024. Entre 2022 e 2024, os investimentos subiram 87% em termos nominais.
A pasta não se manifestou sobre os déficits registrados. O rombo bilionário evidencia desafios financeiros das estatais, que afetam as contas públicas e limitam a capacidade do governo de investir em outras áreas prioritárias.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com