Economia

Empresas brasileiras optam por abrir capital nos Estados

Empresas brasileiras optam por abrir capital nos Estados
  • Publishedjaneiro 29, 2026

Empresas brasileiras optam por abrir capital nos Estados Unidos diante do cenário de juros elevados no Brasil e do ambiente mais favorável no mercado norte-americano. O movimento recente inclui o IPO do Agibank, ainda sem data definida, e reforça a preferência por Wall Street em vez da Bolsa brasileira.

No Brasil, a taxa Selic alcançou 15% ao ano em junho do ano passado, o maior patamar em 20 anos e suficiente para inibir o interesse dos investidores na renda variável. Para especialistas, os juros altos tornam os investimentos em renda fixa mais atraentes, dificultando o financiamento via mercado de ações.

Em 2021, quando o Brasil registrou mais de 40 IPOs, a Selic estava em 9,25%, nível considerado convidativo para empresas buscarem capital. Desde então, a taxa subiu, impactando negativamente os fundos de ações e multimercados, que diminuíram em número e volume nos últimos anos.

“Juros elevados fazem com que os fundos de equity percam capital, e isso é parte importante para entender o recuo do mercado de IPOs no Brasil”, afirma Roderick Greenlees, diretor global de investment banking do Itaú BBA. Bruno Saraiva, do Bank of America, destaca que a preferência pela renda fixa pressiona a renda variável.

O ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos começou em setembro do ano passado, com o Federal Reserve reduzindo a taxa para a faixa de 3,50% a 3,75%, o que favorece o mercado acionário local. Essa diferença de cenário contribui para que empresas brasileiras escolham a bolsa americana para abrir capital.

Leonardo Resende, da B3, lembra que a decisão depende também do setor da empresa, de sua estratégia e de onde seus concorrentes estão listados. No setor financeiro, por exemplo, a presença de empresas brasileiras como Nubank, PagSeguro, StoneCo e XP em Wall Street influencia companhias como o PicPay a seguir o mesmo caminho.

Nem todas as companhias buscam o mercado externo, segundo Resende, que aponta negociações com empresas interessadas em listagem na bolsa brasileira. O ambiente no Brasil ainda é desafiador, mas o mercado está atento a mudanças futuras.

A expectativa para 2026 é de melhora no cenário de IPOs no Brasil, especialmente se o Banco Central iniciar o ciclo de cortes na Selic ainda no primeiro trimestre. O boletim Focus projeta a Selic em 12,25% ao ano ao final do ano, o que poderia reanimar os investimentos em renda variável.

Além dos juros, o cenário global e o compromisso do novo governo brasileiro com as contas públicas são fatores observados por investidores e empresas. Esses elementos influenciam o apetite por operações de abertura de capital no país.

Bruno Saraiva aponta que 2026 deve ser o começo de uma retomada gradual, com poucas operações, enquanto a intensificação da atividade no mercado dependerá de ajustes fiscais e da continuidade da redução dos juros a partir de 2027.

A tendência indica uma recuperação lenta e gradual, mas ainda distante do nível de 2021, último ano de forte atividade em IPOs no país.

Palavras-chave relacionadas para SEO: IPO Brasil, abertura de capital, Agibank IPO, mercado acionário, taxa Selic, juros elevados Brasil, IPO Wall Street, mercado de capitais, PicPay IPO, B3, Federal Reserve, juros EUA, investimentos renda variável, fundos de ações Brasil, mercado financeiro brasileiro.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

Leave a Reply