A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou em janeiro a retirada definitiva dos orelhões das ruas brasileiras, modelo de telefone público criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira em 1971. A medida ocorre após o fim das concessões das empresas responsáveis pelo serviço, que até então mantinham os aparelhos em operação.
O orelhão foi idealizado por Chu Ming Silveira, nascida na China e criada no Brasil, enquanto trabalhava no Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira (CTB). O primeiro modelo, lançado em 1972 no Rio de Janeiro e em São Paulo, tinha formato ovóide e foi feito para oferecer abrigo contra sol e chuva, além de melhorar a qualidade acústica das ligações.
Inicialmente, o telefone funcionava com fichas telefônicas, que foram substituídas por cartões após um tempo. As chamadas podiam ainda ser realizadas “a cobrar”, com o custo descontado do receptor da ligação. Durante as décadas de 1970 a 2000, o aparelho foi amplamente utilizado, especialmente em áreas onde a população não tinha telefone fixo em casa.
A popularização dos telefones celulares contribuiu para a queda no uso dos orelhões, que passaram a perder espaço nas ruas. Em 2020, o país ainda contava com cerca de 202 mil aparelhos, mas atualmente há cerca de 38 mil em operação, segundo dados da Anatel. A remoção acontece em etapas, com os orelhões sendo desativados e retirados, mantendo-se apenas aquelas unidades localizadas em áreas sem cobertura de rede móvel.
Além de sua função prática, o orelhão ganhou status de símbolo nacional absoluto devido ao design desenvolvido por Chu Ming Silveira, que acabou influenciando projetos similares em outros países, como Peru, Angola, Moçambique e China. A obra da arquiteta segue em evidência, inclusive após sua morte em 1997, como parte da identidade urbana do Brasil.
Recentemente, o telefone público voltou a chamar atenção ao ser destaque no cartaz do filme “O Agente Secreto”, candidato brasileiro ao Oscar 2026 e vencedor do Globo de Ouro. Na imagem, o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura, aparece usando o orelhão, o que resgata a memória cultural do aparelho.
Com o término das concessões das cinco empresas responsáveis pelo serviço – Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica – em 2023, estas ficaram desobrigadas de manter a infraestrutura dos orelhões. A Anatel prevê a manutenção dos aparelhos somente em localidades sem cobertura de telefonia móvel, e por até 2028.
O processo de desativação já vinha acontecendo gradualmente ao longo dos últimos anos. Atualmente, segundo a agência, cerca de 33 mil orelhões continuam ativos no Brasil, enquanto aproximadamente 4 mil estão em manutenção. Municípios do interior de São Paulo ainda contam com mais de 550 unidades em funcionamento.
A retirada definitiva dos orelhões marca o fim de uma era na comunicação pública no Brasil. O telefone público, que durante décadas foi um meio fundamental de contato para milhões de brasileiros, transformou-se em item obsoleto diante das novas tecnologias móveis. A descontinuação acompanha as mudanças no comportamento do usuário e a evolução da infraestrutura de telecomunicações no país.
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Fonte: g1.globo.com
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