Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da

Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela em 5 de janeiro de 2026, vestindo um modelo verde da grife italiana Chiara Boni La Petite Robe, avaliado em cerca de 550 euros (aproximadamente R$ 3.800). O uso da peça chamou atenção por contrariar o cenário de crise econômica prolongada enfrentado pelo país.
Apesar do valor do vestido ser inferior às especulações nas redes sociais, ele representa um luxo distante da realidade da maioria dos venezuelanos. O salário mínimo vigente no país, congelado em 130 bolívares desde 2022, equivale a cerca de R$ 2,46, evidenciando a discrepância do poder de compra.
A capital, Caracas, abriga um mercado de luxo resistente, que inclui cinco distribuidoras oficiais da marca de relógios Rolex. Além disso, a Galeria Avanti reúne roupas de diversas marcas e uma concessionária Ferrari expõe carros importados na Torre Jalisco. Essas áreas concentram uma “ilha” de riqueza, sobretudo no bairro Las Mercedes e arredores.
Neste reduto, restaurantes de alta gastronomia se multiplicam, com menus cotados em dólar, privilégio das classes alta e média alta. A adoção do dólar como moeda corrente foi flexibilizada pelo governo em 2020 para favorecer quem tem acesso à moeda estrangeira, reforçando as disparidades sociais.
Segundo o economista Luis Vicente León, entrevistado pela BBC, cerca de 6% da população venezuelana pertence às classes alta e média alta, totalizando aproximadamente 2 milhões de pessoas. Esse grupo inclui empresários, políticos ligados ao governo e uma elite que movimenta o mercado de luxo principalmente por temor de ter seus recursos congelados.
A presença do mercado de luxo na Venezuela não escapa à associação com fortunas resultantes de corrupção, porém León ressalta que não se deve atribuir corrupção a todos os consumidores da região de Las Mercedes.
A desigualdade na Venezuela tem raízes históricas. A economia do país cresceu a partir dos anos 1920 com a exploração do petróleo, e a partir da década de 1970, apesar do aumento da riqueza, cresceu também a disparidade social, com favelas ao lado de edifícios luxuosos.
Essa polarização marcou os governos posteriores, incluindo o de Hugo Chávez, que buscou maior redistribuição de renda a partir de 1998, e o de Nicolás Maduro, cujo mandato sofreu impactos de sanções internacionais e crises internas, agravadas pela deterioração da estatal petrolífera PDVSA.
A história da Ferrari na Venezuela ilustra esses contrastes. A marca italiana chegou ao país nos anos 1950, quando Caracas era comparada a Paris, com boutiques de luxo e eventos esportivos de grande prestígio. Uma concessionária funcionou até 2007, quando restrições comerciais impuseram seu fechamento.
Somente em 2021 a loja foi reaberta no térreo da Torre Jalisco, refletindo a continuidade do mercado de luxo em meio ao cenário de crise. O modelo mais acessível da Ferrari custa atualmente cerca de US$ 255 mil, aproximadamente R$ 1,37 milhão, valor inalcançável para a maioria dos venezuelanos.
Assim, a posse de Delcy Rodríguez com um vestido caro evidencia a coexistência de uma bolha de luxo em meio à crise econômica profunda que o país atravessa, mostrando as desigualdades persistentes na Venezuela.
—
Palavras-chave para SEO:
Venezuela, Delcy Rodríguez, mercado de luxo, crise econômica, Caracas, Rolex, Ferrari, classe alta, desigualdade social, dólar na Venezuela, Nicolás Maduro, Hugo Chávez, economia venezuelana, Las Mercedes, alta gastronomia, poder aquisitivo.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com