A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (14) buscas

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A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (14) buscas em endereços do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e familiares dele, como parte da operação sobre supostas irregularidades na instituição financeira. A investigação, que envolve órgãos como o Banco Central (BC), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF), foi ampliada para incluir operadores ligados ao mercado financeiro.

A crise no Banco Master teve início devido a suspeitas relacionadas a operações financeiras que levaram o BC a decretar a liquidação extrajudicial do banco. A decisão do BC, anunciada após uma tentativa frustrada de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), passou a ser contestada em diferentes instâncias, aumentando a complexidade do caso.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master emitiu cerca de R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com juros elevados, atraindo investidores com base na garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No entanto, a liquidez do banco estava comprometida, sustentada por ativos considerados de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldades.

As investigações apontam que parte dos CDBs foi lastreada por ativos inexistentes, adquiridos por meio da compra de créditos da empresa Tirreno sem pagamento efetivo. Posteriormente, esses créditos foram vendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, em transação sem documentação formal, ocorrendo enquanto o BRB tentava comprar o Banco Master.

Poucas horas após anúncio da venda do banco para a Fictor Holding Financeira, que previa aporte de R$ 3 bilhões, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos ao tentar deixar o país em um avião particular com destino a Malta. A defesa de Vorcaro negou que ele estivesse fugindo e afirmou que o voo tinha como destino Dubai.

O Banco Central instaurou administração especial temporária no Banco Master por 120 dias e decretou a liquidação extrajudicial da instituição, encerrando suas operações e nomeando um liquidante responsável por vender ativos e quitar credores. A decisão foi justificada pela situação econômico-financeira da instituição e por infrações às normas bancárias.

O Tribunal de Contas da União determinou inspeção para analisar documentos relacionados à liquidação, com questionamentos sobre a possibilidade de decisão precipitada do BC. O processo no Supremo Tribunal Federal corre sob sigilo, determinado pelo ministro Dias Toffoli, que autorizou 42 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios e sequestros de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

Além de Daniel Vorcaro, a operação mira familiares e outras pessoas ligadas ao mercado financeiro, incluindo políticos com influência sobre bancos e fundos de pensão. A Polícia Federal suspeita que essas relações facilitaram a prestação de serviços e a movimentação financeira no contexto da crise.

Durante a operação, foram apreendidos carros, relógios, dinheiro em espécie e outros bens, totalizando R$ 97,3 mil em espécie. A defesa de Vorcaro afirmou que ele tem colaborado integralmente com as autoridades e aguarda o esclarecimento completo dos fatos. Outras defesas não se manifestaram até o momento.

O caso Banco Master ganhou destaque por envolver questões sobre a estabilidade do sistema financeiro, o papel dos órgãos reguladores e a interferência política em decisões regulatórias. A investigação segue em curso para apurar fraudes, desvios e a extensão das irregularidades.

Palavras-chave relacionadas: Banco Master, Daniel Vorcaro, Policia Federal, Banco Central, liquidação extrajudicial, operação Compliance Zero, Tribunal de Contas da União, Supremo Tribunal Federal, precatórios, Fundo Garantidor de Créditos, BRB, Fictor Holding, investigação financeira.

Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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