O cantor e compositor Luca Argel lançou em 23 de janeiro o álbum “O homem triste”, que aborda a trajetória da masculinidade tóxica que atinge meninos desde a infância. Produzido por Moreno Veloso, o disco apresenta nove faixas autorais gravadas entre Rio de Janeiro e Almada, em Portugal, onde Argel vive desde 2012.
A ideia do álbum surgiu a partir da observação do artista sobre o comportamento do afilhado, que mudou após o contato com noções equivocadas na escola, influenciando seu modo de ser e iniciando um processo de masculinidade tóxica. O trabalho é uma reflexão sobre as consequências dessa formação social, que gera homens emocionalmente reprimidos e tristes.
“O homem triste” é um álbum conceitual que explora, por meio da música, a dificuldade de expressar emoções e a pressão para se enquadrar em estereótipos masculinos. A faixa-título traz versos que ilustram esse aprisionamento, inspirando-se em canções anteriores de Manel Cruz e Caetano Veloso para enriquecer o diálogo sobre o tema.
A sonoridade do disco, ainda que focada em uma linguagem mais pop, mantém a natural suavidade da voz de Argel e valoriza uma abordagem intimista. A instrumentação combina elementos de jazz, bossa nova, reggae e samba, com a participação dos músicos Alberto Continentino (baixo), Domenico Lancellotti (bateria), Leo Martins (percussão), Pedro Sá (guitarra) e Pri Azevedo (piano e sanfona).
Destaques do álbum incluem “Primeiro mar”, que associa a ligação do homem com a figura feminina ao nascimento, e “Tive que mentir”, que dá continuidade à reflexão sobre a complexidade das expectativas impostas aos homens. A faixa “É pedir demais?” cria uma atmosfera bossa nova para discutir a rejeição das cobranças excessivas.
Em “Homem (a canção)”, Argel questiona os limites da masculinidade na busca pelo prazer e na expressão corporal, apresentando letras que dialogam com a dor e o afeto. A canção “Meu irmão”, acompanhada pela sanfona, expressa a ternura e a delicadeza marcantes em todo o álbum.
O lançamento sucede o EP “Meigo energúmeno – Luca Argel canta Vinicius” (2025), no qual o artista já havia problematizado aspectos do machismo presentes nas obras do compositor Vinicius de Moraes. Com “O homem triste”, Luca Argel aprofunda essa análise através de um cancioneiro que privilegia o conteúdo emocional e reflexivo.
Com uma abordagem que evita a imposição de discursos e se apoia em sensações reais, o álbum se destaca como uma obra significativa na produção musical contemporânea, propondo uma reflexão sobre o impacto social da masculinidade tóxica e suas consequências na vida emocional dos homens.
Palavras-chave relacionadas: Luca Argel, O homem triste, álbum 2024, masculinidade tóxica, música autoral, produção musical Moreno Veloso, masculinidade emocional, música brasileira, reflexão social, álbum conceitual.
Fonte: g1.globo.com
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