A família da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie acusou o Hospital Euracare, em Lagos, de negligência pela morte do filho de 21 meses, Nkanu Nnamdi, em 7 de janeiro. O bebê morreu poucos dias após adoecer, e familiares apontam falhas no atendimento, como negação de oxigênio e sedação excessiva que teria causado um ataque cardíaco.
Segundo a cunhada de Adichie, Anthea Nwandu, em entrevista à Arise TV, o diretor médico teria informado que a sedação aplicada no menino foi excessiva, provocando o ataque cardíaco. Ela também acusou a equipe médica de deixar o bebê sem supervisão, negar oxigênio e fazer o transporte inadequado, resultando em lesão cerebral por falta de oxigenação.
A família divulgou uma mensagem privada da escritora que vazou nas redes sociais, na qual ela relata falhas no atendimento. A porta-voz de Adichie, Omawumi Ogbe, afirmou à BBC que o relato foi compartilhado inicialmente em um círculo restrito e destacou a gravidade das supostas falhas clínicas que levou à tragédia.
Em nota, o Hospital Euracare expressou condolências pela perda, mas negou qualquer atendimento inadequado. A instituição disse que Nkanu chegou em estado crítico, após tratamento em dois centros pediátricos, e que recebeu suporte imediato conforme protocolos clínicos e padrões internacionais, incluindo a sedação. O hospital afirmou que colaborou com equipes médicas externas indicadas pela família e garantiu todo o suporte clínico necessário.
Apesar dos esforços, o menino morreu menos de 24 horas após a admissão. A instituição informou que uma investigação detalhada foi iniciada e que continuará empenhada em colaborar de forma transparente com os órgãos reguladores.
O Ministério da Saúde do estado de Lagos confirmou o início de uma apuração “completa, independente e transparente” sobre a morte. A porta-voz Kemi Ogunyemi afirmou que o órgão valoriza a vida humana e tem tolerância zero para negligência médica ou má conduta. Ela alertou para evitar especulações enquanto a investigação estiver em curso e garantiu o rigor da lei contra responsáveis por irregularidades.
A morte de Nkanu ocorreu em meio a um contexto de crise no sistema de saúde da Nigéria, que enfrenta escassez de médicos. Profissionais frequentemente acumulam longas jornadas de trabalho em hospitais públicos e privados para suprir a demanda.
Chimamanda Ngozi Adichie, de 48 anos, é uma escritora premiada e radicada nos Estados Unidos, conhecida por obras como “Americanah”. Seus gêmeos, incluindo Nkanu, nasceram em 2024 por meio de barriga de aluguel. O caso ganhou repercussão significativa no país e internacionalmente, gerando debates sobre a qualidade do atendimento médico na Nigéria.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

