Correios apresentam plano de reestruturação e m eventual necessidade de mais R$ 8 bi em 2026
Apesar da crise financeira vivida nos últimos 12 trimestres, os Correios voltaram a registrar aumento, mesmo que tímido, nas receitas com encomendas e mensagens. O valor é o maior desde 2022.
De acordo com as demonstrações financeiras do 3º trimestre, que trazem a posição da empresa em 30 de setembro, os Correios registraram receita de R$ 7,2 bilhões com encomendas e R$ 3,6 bilhões com mensagens.
📉Em novembro, a empresa u o resultado do 3º trimestre de 2025 onde apresentou um prejuízo de R$ 6 bilhões. Em 2024, o prejuízo no mesmo período tinha sido de R$ 2,1 bilhões.
As postagens internacionais — que eram responsáveis por mais de 20% das receitas dos Correios — registraram uma queda de quase R$ 2 bilhões em relação a 2024, alcançando R$ 1,1 bilhão.
Correios
Analisando os produtos comercializados pelos Correios, o maior aumento entre 2023 e 2025 ficou com aqueles em que a empresa classifica como “outros”, que incluem serviços de logística, marketing, malote, conveniência, venda de chip para celulares, entre outros.
Juntos, esses produtos tiveram um aumento de 13,8%, R$ 117 milhões. Entretanto, sua receita representa apenas 7,5% do total e o impacto é pouco sentido na conta final.
Já as encomendas, que são o principal produto comercializado pela empresa, também tiveram um aumento, R$ 107 milhões, mas seu impacto foi de apenas 1,5% no comparativo com 2023.
Por fim, os serviços de mensagens tiveram um aumento de 1,7% (R$ 58 milhões).
Redução do total da receita
Mesmo com o crescimento tímido registrado nos principais produtos comercializados, a receita total da empresa sofreu uma forte redução em função do programa “Remessa Conforme”, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023.
O governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas. A medida ficou conhecida como “taxa das blusinhas”.
Com a criação do programa, a legislação brasileira passou a permitir que empresas de transportes façam o frete pelo Brasil de mercadorias internacionais, deixando de ser obrigatória a distribuição das encomendas junto aos Correios, como era feito até então.
E isso gerou um impacto significativo nas receitas dos Correios. De acordo com os dados apresentados nas demonstrações financeiras, houve uma redução de R$ 2,2 bilhões entre o acumulado até setembro de 2023 e 2025. O que representa 66% do que havia sido arrecadado no ano da implantação do programa.
De acordo com um levantamento dos Correios apresentado durante coletiva de imprensa desta segunda-feira (29), os Correios perderam espaço no mercado de encomendas entre 2019 e 2025. Saindo de 51% no primeiro ano do governo Bolsonaro para 22% atualmente.
“O monopólio de cartas em centros urbanos ou em locais que geravam rentabilidade passou a não ser suficiente para financiar as comunicações físicas que estão ligadas a universalização do serviço postal em locais remotos ou locais que são originalmente deficitários”, afirmou o presidente da empresa, Emmanoel Rondon.
JN tem acesso a documentos que mostram que direção dos Correios foi alertada há dois anos de que corria risco de ficar sem dinheiro
Jornal Nacional/ Reprodução
Busca por recursos
Também durante a coletiva desta segunda, o presidente dos Correios afirmou que a empresa ainda vai buscar mais R$ 8 bilhões para manutenção das operações, como parte do plano de reestruturação para os próximos anos.
Segundo o presidente da companhia, a captação dos recursos poderá se dar por meio de aportes de verbas públicas do Tesouro Nacional ou através de um novo empréstimo. Rondon afirmou que a melhor forma de obtenção desses recursos está em análise e ainda será definida.
Na semana passada, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias, para quitar dívidas e aliviar o caixa.
A ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.
Plano de reestruturação
O plano de reestruturação da empresa prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e o fechamento de mil agências – atualmente os Correios têm cerca de 5 mil unidades.
A companhia vai implementar um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e espera, em até 2 anos, reduzir em 15 mil o número total de funcionários, o que representaria um corte de 18% na folha de pagamentos.
🔎O PDV é um pacote de incentivos oferecido por uma empresa para que seus funcionários peçam demissão por vontade própria. Diferente de uma demissão comum, o PDV funciona como um acordo. Para a empresa, é uma forma de reduzir custos ou reestruturar o quadro de funcionários sem o impacto negativo de demissões em massa.
Emmanoel Rondon, que afirmou que o modelo econômico-financeiro dos Correios deixou de ser “viável”. O plano de reestruturação elaborado tem o objetivo de reverter os 12 trimestres seguidos de prejuízos.
A proposta detalhada nesta segunda visa recuperar as contas da empresa em 2026 para que possa voltar a ter lucro a partir de 2027. Para isso, os Correios esperam:
redução em R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal;
vender R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais;
redução de mil pontos de venda deficitários;
reformulação do plano de saúde para reduzir o custo em R$ 500 milhões anuais.
Aumento de receitas
A empresa também deve buscar novas estratégias para conseguir alavancar as receitas.
A expectativa é chegar a R$ 21 bilhões em 2027. Em 2024, os Correios fecharam o ano com uma receita total de R$ 18,9 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022.
A empresa ainda pretende investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com um empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, presidido por Dilma Rousseff.
A captação terá como destinação obrigatória a “automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística”.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

