Os Correios anunciaram nesta segunda-feira (29), em Brasília, um plano de reestruturação que prevê a redução de R$ 2 bilhões nos gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de mil agências. A proposta busca enfrentar a crise financeira da estatal, que acumula 12 trimestres consecutivos de prejuízos.
O projeto inclui um programa de demissão voluntária (PDV) que visa diminuir em até 15 mil o número de funcionários em até dois anos, o que corresponde a um corte de 18% na folha de pagamento. Atualmente, os Correios contam com cerca de 5 mil unidades e aproximadamente 85 mil funcionários.
Durante entrevista coletiva, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que o modelo econômico-financeiro atual “deixou de ser viável” e destacou a necessidade de ajustes rápidos para evitar perdas ainda maiores. Segundo ele, a empresa apresentou prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, frente a R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024.
O plano detalhado inclui ainda a tomada de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a bancos como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. O crédito será destinado à quitação de dívidas e reforço do caixa, com R$ 10 bilhões disponíveis até o dia 31 de julho e o restante previsto para janeiro de 2026. O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União.
Entre as medidas adicionais, estão a venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, a redução das despesas com o plano de saúde Postal Saúde em R$ 500 milhões por ano e a eliminação de mil pontos de venda deficitários. A reformulação do Postal Saúde é motivada pelo alto custo do benefício, que compromete a sustentabilidade financeira da companhia e da própria operadora de saúde.
Em 2024, o Postal Saúde enfrentou interrupções em redes hospitalares devido à inadimplência dos Correios com suas cotas, e o relatório financeiro indica risco para a continuidade operacional da entidade, que possui 202 mil beneficiários. A dependência financeira dos Correios sobre o Postal Saúde faz com que problemas da estatal impactem diretamente a operadora.
Além do corte de despesas, a empresa também pretende aumentar suas receitas, com a expectativa de alcançar R$ 21 bilhões em 2027, ante R$ 18,9 bilhões registrados em 2024. A queda da receita está parcialmente relacionada ao programa “Remessa Conforme”, que passou a permitir que transportadoras privadas realizem a entrega de encomendas internacionais no Brasil, reduzindo a exclusividade dos Correios.
O plano também prevê investimento de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS. Os recursos serão destinados à automação dos centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de tecnologia da informação e redesenho da malha logística.
Apesar das medidas, o presidente Emmanoel Rondon afirmou que não espera melhorias substanciais para 2025, e alertou para uma possível piora no cenário financeiro em 2026, com prejuízo estimado em até R$ 23 bilhões caso não haja correções no curso atual.
O plano de reestruturação é uma tentativa de recuperar a saúde financeira dos Correios, de modo que a empresa retome a lucratividade a partir de 2027.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

