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Os Estados Unidos apreenderam no sábado (20) um segundo navio petroleiro próximo à costa da Venezuela que tinha como destino a China, segundo a agência Reuters. A ação integra a campanha de pressão do governo Trump contra o regime de Nicolás Maduro, incluindo bloqueios, ações militares e sanções.
O navio VLCC Centuries transportava cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo cru venezuelano Merey para refinarias chinesas por meio da intermediária Satau Tijana Oil Trading, conforme documentos internos da estatal PDVSA obtidos pela Reuters. A embarcação estava registrada sob a bandeira do Panamá e usava o nome falso “Crag” para tentar ocultar sua origem.
Esta é a segunda apreensão desde o início da escalada de tensões entre os EUA e a Venezuela. A primeira ocorreu em 10 de dezembro, em meio ao bloqueio total decretado pelo presidente Donald Trump para petroleiros sancionados que deixassem a Venezuela. Trump afirmou que o país está completamente cercado militarmente. Em resposta, Maduro classificou a medida como uma “ameaça grotesca” e “absolutamente irracional”.
O VLCC Centuries integra a chamada “frota fantasma” venezuelana, uma tática que utiliza bandeiras estrangeiras e nomes falsos para driblar sanções internacionais. Essa estratégia também é adotada por outros países sancionados, como Rússia e Irã. Dados da organização Transparência Venezuela indicam que aproximadamente 40% das embarcações que transportam petróleo venezuelano operam em situação irregular.
Segundo fontes da Reuters e imagens de satélite, o navio deixou as águas venezuelanas na quarta-feira, após breve escolta da marinha do país, e foi apreendido em águas internacionais a oeste da ilha de Barbados. Na quinta-feira, o governo Maduro autorizou a saída de dois outros petroleiros rumo à China, cada um carregando cerca de 1,9 milhão de barris de petróleo.
A apreensão foi realizada pela manhã e um vídeo da operação foi divulgado pela secretária da Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem. Em comunicado publicado na rede social X, Noem declarou que os Estados Unidos continuarão a combater a movimentação ilícita de petróleo sancionado usada para financiar o narcoterrorismo na região. O governo venezuelano condenou o ato, classificando-o como um “grave ato de pirataria internacional” e afirmou que tais medidas “não passarão impunes”.
Desde o anúncio do bloqueio e das sanções em 2019, a Venezuela enfrenta dificuldades para operar sua principal fonte de receita, o petróleo. O país possui a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA) dos EUA, mas sua produção é prejudicada pela infraestrutura precária e pela necessidade de tecnologia avançada para extrair o óleo extra-pesado.
Os Estados Unidos têm interesse estratégico no petróleo venezuelano, especialmente por sua adequação às refinarias localizadas na Costa do Golfo. Com as sanções, a administração Trump tenta pressionar o regime de Maduro ao mesmo tempo em que protege a economia norte-americana.
Relatórios indicam que Caracas sofre com falta de capacidade para armazenar petróleo devido às restrições impostas por Washington, que dificultam a movimentação dos navios nos portos do país.
A China é atualmente o maior comprador do petróleo bruto venezuelano, responsável por cerca de 4% das suas importações, com embarques que devem alcançar mais de 600 mil barris por dia em dezembro. Apesar disso, há um alto volume de petróleo armazenado em navios-tanque ao largo da costa chinesa esperando descarregamento.
Além das apreensões de navios que transportam petróleo, o Departamento de Defesa dos EUA executa ataques militares no Caribe e no Oceano Pacífico contra embarcações suspeitas de contrabandear drogas, como o fentanil.
Desde setembro, essas operações resultaram na morte de pelo menos 104 pessoas. Em entrevista recente, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, afirmou que o governo Trump pretende continuar com essas ações até forçar o regime de Maduro a ceder.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) está programado para se reunir na próxima terça-feira para discutir a escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela.
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Palavras-chave relacionadas: apreensão de navio petroleiro, Estados Unidos, Venezuela, petróleo venezuelano, sanções econômicas, regime Maduro, bloqueio naval, China, PDVSA, frota fantasma, tensão política internacional.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com