O preço da carne bovina no Brasil subiu mais de 20% em um ano, mesmo após a imposição de tarifas elevadas pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros de exportação em 2023. O aumento ocorre devido à combinação da demanda interna aquecida e da continuidade das exportações, que mantêm os preços elevados no mercado doméstico.
Especialistas explicam que a competitividade da carne brasileira no mercado internacional ajuda a sustentar os preços. Segundo Thiago Bernardino, coordenador de Pecuária do Centro de Estudos de Economia Aplicada (Cepea) da USP, o Brasil possui os menores custos de produção do mundo, o que atrai compradores internacionais e mantém o país na liderança mundial das exportações de carne.
Além do cenário externo, fatores internos contribuem para a alta dos preços. A estiagem típica do período reduz a oferta de pasto, o que faz com que os bois levem mais tempo para atingir o peso ideal para abate. Desde 2023, a cotação da arroba do boi gordo se mantém em torno de R$ 300, refletindo o ajuste do mercado produtor.
O aumento da demanda interna também impacta os valores. A queda do desemprego e a elevação da renda fazem com que mais brasileiros ampliem o consumo de carne. André Diz, professor de Economia do Ibmec, observa que a proteína animal é prioridade no orçamento familiar com a melhora da situação financeira, o que sustenta o consumo mesmo com preços mais altos.
Consumidores têm adotado estratégias para lidar com o aumento dos preços, diversificando o consumo para outras fontes proteicas como frango, linguiça e fígado. Ana Paula Leonilda, agente de saúde, comenta que varia os tipos de carne para não depender exclusivamente da carne bovina, que está mais cara.
O cenário atual indica que os preços da carne bovina devem permanecer elevados até o final de 2024, segundo especialistas ouvidos. A combinação dos fatores climáticos, da oferta restrita de boi para abate e da demanda crescente pressiona o mercado, dificultando a redução dos custos para o consumidor final.
Assim, mesmo após as medidas tarifárias dos Estados Unidos, que tinham como objetivo diminuir as exportações brasileiras, a carne continua escassa no mercado interno brasileiro, e os preços seguem pressionados. A competitividade da produção nacional e a demanda robusta garantem a continuidade desse quadro.
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Fonte: g1.globo.com
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