Lula anuncia candidatura à reeleição para garantir democraci

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (30), em Assunção, durante a 68ª Cúpula do Mercosul, que pretende disputar a reeleição em outubro para “garantir” a democracia no Brasil. A declaração foi feita em um discurso improvisado após sua fala institucional sobre as relações entre os países do bloco econômico sul-americano.
Segundo Lula, a democracia enfrenta ameaças globais, incluindo tentativas de golpe também no Brasil. Ele anunciou que buscará um quarto mandato, tendo como provável principal adversário Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pré-candidato pelo PL.
O encontro reuniu os presidentes do Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile e Equador, além de representantes da Argentina, que enviou seu chanceler devido à ausência do presidente Javier Milei, alegando compromissos locais. Durante o discurso, Lula ressaltou os 35 anos de existência do Mercosul, destacando que o bloco surgiu como resposta a períodos autoritários na região.
O presidente defendeu que a integração entre os países-membros deve prevalecer sobre as divergências ideológicas entre seus líderes. “O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco forte funcionando”, afirmou. Lula pediu empenho para consolidar as instituições do Mercosul, garantindo a continuidade do bloco independentemente dos resultados eleitorais nos países envolvidos.
Lula também enfatizou que o Mercosul é a “melhor opção institucional” para a América do Sul em um contexto de polarização política e afirmou que “ninguém é dono” do continente. Ele fez referência à presença dos presidentes Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador).
Na cúpula, o presidente brasileiro propôs o compartilhamento de tecnologias de inteligência artificial entre os países do Mercosul. Sugestões para que a estrutura do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, sirva de modelo para uma plataforma comum à região também foram apresentadas, com o objetivo de reduzir custos e ampliar o uso das moedas locais.
Em homenagem às vítimas de terremotos recentes na Venezuela, os líderes do bloco realizaram um minuto de silêncio, atendendo à proposta de Lula no início do evento. Os abalos sismológicos causaram até o momento 1.719 mortes, com milhares de desaparecidos e desabrigados. O presidente brasileiro pediu cooperação entre as nações e defendeu a criação de um fundo sul-americano para desastres naturais e adaptação climática, classificado como “necessidade estratégica”.
Durante o discurso, Lula também abordou o impacto das guerras globais na estabilidade econômica da região, citando a alta nos preços de alimentos e energia. Ele apresentou dados econômicos do Mercosul, destacando o crescimento do comércio interno de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025.
O presidente destacou a ratificação recente de acordos comerciais com Singapura e a União Europeia, além da progressão das negociações com Canadá, Índia e Vietnã. Nesta cúpula, afirmou que serão lançadas discussões para uma parceria econômica com o Japão, e mencionou a busca por aproximação com a China em breve.
A reunião reforçou a importância do Mercosul como mecanismo de integração econômica e política na América do Sul, com metas alinhadas à estabilidade democrática, cooperação regional e desenvolvimento econômico conjunto.
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**Palavras-chave:** Lula, eleição 2024, Mercosul, democracia no Brasil, integração sul-americana, PIX, comércio regional, acordos comerciais, América do Sul, fundo para desastres naturais
Fonte: g1.globo.com
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