A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF)

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram nesta quinta-feira (25) a segunda etapa da Operação Disclosure, que investiga irregularidades contábeis bilionárias nas Lojas Americanas. A ação ocorre no Rio de Janeiro e em São Paulo, com nove mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens no valor de R$ 54 bilhões.
A operação busca apurar se acionistas da varejista e representantes de grandes bancos privados estiveram envolvidos no esquema de fraudes. Segundo a PF, ex-executivos da empresa ocultaram dívidas e inflaram recursos financeiros para valorizar indevidamente as ações na Bolsa.
O escândalo nas Americanas veio à tona em janeiro de 2023, quando a empresa divulgou inconsistências contábeis estimadas inicialmente em R$ 20 bilhões. O problema estava relacionado a registros inadequados referentes aos nove primeiros meses de 2022 e exercícios anteriores.
Na sequência da divulgação, o então presidente Sergio Rial e o diretor financeiro André Covre deixaram seus cargos. A revelação causou impacto imediato no mercado financeiro, com as ações da companhia caindo mais de 77% em um único dia, uma das maiores quedas já registradas no Brasil.
As inconsistências envolveram operações conhecidas como risco sacado, modalidade em que uma instituição financeira antecipa pagamentos a fornecedores, aparecendo como credora da empresa. Nos casos das Americanas, essas dívidas não estavam refletidas corretamente nos balanços, reduzindo artificialmente o endividamento.
Além disso, as investigações apontam fraudes em verbas de propaganda cooperada (VPC), incentivos comerciais concedidos por fornecedores que teriam sido registrados com valores inexistentes ou inflados, sem respaldo econômico.
Em resposta à crise, a Justiça do Rio de Janeiro suspendeu temporariamente cobranças contra a empresa para evitar a rápida exaustão dos ativos, permitindo a avaliação de um pedido de recuperação judicial. Também surgiram suspeitas sobre venda de ações por executivos antes da divulgação do escândalo, levantando indícios de uso de informação privilegiada.
Diante da situação financeira insustentável, as Americanas entraram com pedido de recuperação judicial em 19 de janeiro de 2023, com dívidas que ultrapassam R$ 50 bilhões, uma das maiores da história empresarial brasileira. A empresa tinha cerca de R$ 800 milhões em caixa, muito abaixo dos R$ 8,6 bilhões divulgados anteriormente.
Durante a recuperação judicial, a companhia reduziu sua estrutura e vendeu ativos estratégicos, como a holding Uni.Co, que detinha marcas como Imaginarium e Puket, adquirida pelo grupo BandUP!. A simplificação do negócio faz parte da estratégia para geração de caixa.
A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada em junho de 2024, com cumprimento de 14 mandados e pedidos de prisão contra ex-executivos que estavam no exterior. A investigação identificou indícios de manipulação de mercado, associação criminosa, uso de informação privilegiada e lavagem de dinheiro.
Na nova etapa, a PF ampliou o foco para incluir acionistas e representantes de bancos privados, além de ex-executivos. O bloqueio judicial de R$ 54 bilhões corresponde ao prejuízo estimado pelos laudos periciais.
Segundo as autoridades, os responsáveis manipulavam resultados financeiros para ocultar dívidas e inflar lucros, beneficiando-se com bônus e negociações de ações valorizadas artificialmente. A suspeita envolve crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
Com o encerramento recente do processo de recuperação judicial, homologado após cumprimento das obrigações previstas, as Americanas buscam retomar a atividade econômica de forma estruturada, enquanto o caso segue em investigação.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com