Economia

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio
  • Publishedjunho 24, 2026

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) renovou, nesta terça-feira (23), a cota de importação sem impostos para veículos elétricos desmontados (CKD) e semimontados (SKD) no Brasil. A medida visa incentivar a entrada desses carros no país, mas gerou críticas das montadoras nacionais.

Veículos CKD (Completely Knocked Down) chegam desmontados ao Brasil e são montados localmente. Os SKD (Semi Knocked Down) entram ao mercado em formato semimontado, enquanto os CBU (Completely Built Unit) são importados já totalmente montados. A produção em CKD e SKD permite às marcas reduzir a mão de obra local, aproveitando processos produtivos e tecnologias desenvolvidas no exterior.

A estratégia de importação desses kits facilita o investimento inicial das fabricantes estrangeiras em fábricas no país. Ao utilizar componentes já fabricados, as empresas reduzem custos e tempo de montagem, o que inclui a elaboração de tecnologias ainda não produzidas no Brasil.

Por outro lado, a decisão do Gecex provocou reação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em nota oficial, a entidade afirmou que a medida “é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças”.

A Anfavea ressaltou que a decisão foi tomada sem consulta ao setor produtivo e modifica uma política que buscava equilibrar a expansão da eletromobilidade e o estímulo a investimentos produtivos permanentes no país. Segundo a associação, as cotas para importação de kits de veículos eléctricos deveriam terminar em fevereiro de 2026, conforme acordado no ano passado entre o governo e a indústria.

Ainda conforme a Anfavea, o setor industrial respondeu às políticas públicas com investimentos previstos de R$ 140 bilhões até 2033, destinados a tecnologias de propulsão, pesquisa, engenharia, modernização de fábricas e ampliação da cadeia de fornecedores. A produção nacional de veículos eletrificados cresceu, representando 25,9% das vendas no segmento em 2025, com aumento de 57% na comercialização desses veículos até maio de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O governo, por sua vez, afirmou que “a importação de carros montados não terá cotas” e que a iniciativa integra ações voltadas à renovação da frota automotiva, inovação e redução de emissões de CO₂ no Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o objetivo é fortalecer um ecossistema automotivo com veículos mais sustentáveis.

A controvérsia central reside no modelo de desenvolvimento que o país pretende adotar para a mobilidade elétrica. A ampliação dos incentivos para importação de veículos em CKD e SKD ocorre em momento em que a produção local já cresce e os investimentos privados se consolidam. A Anfavea alerta que a medida pode reduzir os estímulos para o avanço da indústria nacional, afetando a criação de empregos e o desenvolvimento tecnológico.

Em resumo, o conflito apresenta duas visões sobre a estratégia para aumentar a presença de veículos elétricos no Brasil: uma focada na entrada rápida dos automóveis por meio de kits importados e outra voltada para o desenvolvimento da cadeia produtiva local. O debate seguirá nos próximos meses, com impacto direto nas políticas industriais e no mercado automobilístico brasileiro.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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