A fundação alemã Memória, Responsabilidade e Futuro (EVZ)

A fundação alemã Memória, Responsabilidade e Futuro (EVZ) completa 25 anos desde o início do pagamento de compensações aos sobreviventes do trabalho forçado imposto pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Entre 2001 e 2007, foram pagos cerca de € 4,4 bilhões a 1,66 milhão de ex-trabalhadores forçados e seus herdeiros, em aproximadamente cem países, para reconhecer o sofrimento provocado pelo regime nazista.
A EVZ foi criada em 2000 com a finalidade de indenizar os trabalhadores forçados e financiar iniciativas que promovem direitos humanos e valores democráticos. O fundo original, formado por recursos do governo alemão e de cerca de 6.500 empresas que utilizavam trabalho forçado, somava 10,1 bilhões de marcos alemães, equivalentes a cerca de € 5,16 bilhões. Contudo, especialistas afirmam que o valor pago ficou longe de compensar os danos sofridos.
Estima-se que cerca de 26 milhões de pessoas foram obrigadas a trabalhar para o regime nazista entre 1933 e 1945, metade delas em territórios ocupados fora da Alemanha. Pesquisas indicam que a indenização total pelos trabalhos forçados deveria alcançar entre € 90 bilhões e € 112 bilhões, muito acima do valor efetivamente pago. A diretora da EVZ, Andrea Despot, reconhece que o fundo não compensou a exploração nem os prejuízos enfrentados pelas vítimas.
Apesar da Lei Federal de Indenização de 1953, que reparava pessoas perseguidas por motivos políticos, raciais ou religiosos, os trabalhadores forçados foram excluídos dessas medidas. Entre as décadas de 1950 e 1980, algumas empresas alemãs fizeram pagamentos voluntários, mas dificilmente chegaram a vítimas da Europa Oriental. O avanço efetivo só ocorreu em resposta a pressões jurídicas e políticas, principalmente por ações coletivas de grupos judaicos e organizações nos Estados Unidos.
O debate sobre o valor do fundo envolveu negociações difíceis, com diferenças entre as exigências dos demandantes e as propostas das empresas responsáveis. O historiador Constantin Goschler destaca que os € 5 bilhões pagos surgiram como uma solução negociada, e não como uma reparação integral pelos danos sofridos.
A demora nas indenizações está relacionada ao contexto da Guerra Fria. A Alemanha Ocidental evitava repassar recursos a países do Leste Europeu, temendo o envio de dinheiro para a chamada Cortina de Ferro. Além disso, trabalhadores forçados vindos da União Soviética foram muitas vezes vistos como colaboradores e enfrentaram desconfiança e discriminação em seus países de origem, o que dificultou o reconhecimento e o apoio.
Para muitos sobreviventes, o reconhecimento histórico e simbólico foi tão importante quanto o valor financeiro das indenizações. O certificado emitido pela EVZ comprova a condição de vítima e não de colaborador, um aspecto vital para a preservação da memória e dignidade dos sobreviventes.
Hoje, apesar das indenizações terem sido concluídas, a EVZ mantém seu foco na promoção da memória do Holocausto e na defesa dos direitos humanos e da democracia. A fundação financia projetos educacionais e culturais que buscam preservar a história do trabalho forçado e suas consequências. Em 2025, a EVZ foi classificada como organização indesejável pelo Kremlin após manifestar apoio à Ucrânia, conflito que envolve países profundamente impactados pela ocupação nazista.
A fundação também oferece apoio a organizações russas e bielorrussas exiladas por seus governos. O trabalho atual da EVZ visa garantir que os efeitos do regime nazista não sejam esquecidos e que direitos fundamentais sejam protegidos em um contexto contemporâneo.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com