O Festival de Cannes 2026 começa nesta terça-feira

O Festival de Cannes 2026 começa nesta terça-feira (12), marcando uma edição importante para a corrida do Oscar, mas sem a presença de filmes brasileiros na competição pela Palma de Ouro. O evento ocorre na cidade de Cannes, na França, e ganhou ainda mais relevância após a mudança nas regras da Academia de Cinema americana que vinculam vencedores dos principais festivais internacionais à indicação direta ao Oscar.
A partir de 2027, filmes vencedores em competições como a de Cannes poderão concorrer automaticamente à categoria de melhor filme internacional do Oscar, sem a necessidade de serem selecionados pelos seus países. A única exigência é que mais de 50% do filme não seja falado em inglês. O presidente do júri deste ano será o cineasta sul-coreano Park Chan-wook, que escolherá o vencedor da Palma de Ouro, cujo filme se tornará elegível para o Oscar do ano seguinte.
Essa mudança aproxima Cannes do Oscar de forma oficial, consolidando o festival como uma vitrine central para produções consideradas para a premiação americana. Nos últimos dez anos, sete filmes vencedores em Cannes receberam indicações ao Oscar, incluindo “Parasita” (2019), o primeiro filme falado em outra língua que conquistou o prêmio de melhor filme.
A alteração nas regras da Academia reflete um esforço para diversificar seus membros e internacionalizar as escolhas, impactando obras premiadas mundialmente. Um exemplo recente é “Anatomia de uma queda”, que ganhou a Palma de Ouro em 2023 e recebeu cinco indicações ao Oscar, mas não pode concorrer na categoria internacional por não ter sido selecionado oficialmente pela França, fato que gerou controvérsias políticas.
Apesar da importância ampliada do festival, o Brasil não terá filmes na competição principal este ano. A ausência dificulta a busca por uma terceira indicação consecutiva do país na categoria de melhor filme internacional do Oscar. No ano passado, “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, participou da corrida ao receber prêmios em Cannes, o que ajudou na distribuição do filme nos Estados Unidos pela Neon, distribuidora conhecida por seu foco em produções de premiações.
Há, porém, outras possibilidades para filmes brasileiros se destacarem na temporada de premiações. O Festival de Veneza, em setembro, é uma dessas oportunidades. Em 2025, o filme “Ainda estou aqui” iniciou sua trajetória rumo ao Oscar a partir desse evento. Além disso, o Brasil terá representação indireta em Cannes com o ator Selton Mello, que integra o elenco do filme chileno “La perra”.
A edição de 2026 também se diferencia pela ausência de grandes produções de Hollywood. Nenhum blockbuster norte-americano será apresentado em Cannes, o que reflete uma mudança no calendário de lançamentos dos estúdios. Filmes como “Dia D”, de Steven Spielberg, e “A Odisseia”, de Christopher Nolan, estão programados para estreias em outras datas e locais.
Com isso, o destaque do festival recai sobre cineastas consagrados em festivais de arte e prestígio internacional, como o espanhol Pedro Almodóvar, apresentando “Amarga navidad”, o japonês Hamaguchi Ryusuke com “Soudain”, Koreeda Hirokazu com “Hako no naka no hitsuji”, e o iraniano Asghar Farhadi, que mostrará “Histoires parallèles”. Estes títulos são esperados para representar o cinema autoral e de prestígio em uma edição que fortalece a conexão entre Cannes e o Oscar.
O Festival de Cannes 2026 confirma seu papel estratégico na temporada de premiações globais, funcionando como uma plataforma decisiva para os filmes que desejam alcançar a premiação da Academia de Cinema americana. Embora o contexto favoreça produções internacionais, o Brasil enfrenta o desafio de reafirmar sua participação nas principais disputas em festivais futuros.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com