Os afastamentos por burnout no Brasil cresceram 823%

Os afastamentos por burnout no Brasil cresceram 823% entre 2021 e 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social obtidos pelo g1, refletindo o agravamento da crise de saúde mental no trabalho. Em 2025, foram concedidos 7.595 benefícios por incapacidade temporária para tratamento do esgotamento profissional, contra 823 em 2021.
O aumento também é observado nas denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que saltaram de 190 para 1.022 no mesmo período, apontando para um crescimento de 438%. Em 2025, o país registrou mais de meio milhão de licenças médicas por transtornos mentais, mantendo a tendência registrada em 2024.
Diante desses números, o governo federal atualizou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que prevê fiscalização e punição a empresas por condições que prejudiquem a saúde mental dos trabalhadores. A norma, inicialmente prevista para vigorar em maio de 2025, foi adiada para maio de 2026 após pressão de entidades empresariais.
Especialistas afirmam que o aumento dos casos não resulta apenas do reconhecimento maior do problema, mas também da piora nas condições laborais. O psiquiatra Arthur Danila explica que o trabalho tornou-se mais acelerado, monitorado e competitivo, com alta pressão por resultados e poucas possibilidades de descanso entre jornadas.
A chamada “jornada expandida invisível”, que mantém trabalhadores conectados fora do horário formal por meio de mensagens e e-mails, também contribui para o esgotamento, colocando o corpo em estado constante de alerta. Esse cenário leva à exaustão intensa, distanciamento mental e redução da eficácia profissional, sintomas clássicos do burnout reconhecido pela Organização Mundial da Saúde desde 2022 na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).
O reconhecimento formal da doença ainda depende de comprovação do vínculo entre o adoecimento e o trabalho. A advogada trabalhista Nathalia Sequeira Coelho explica que a Justiça analisa cada caso individualmente e que o burnout pode ser equiparado a acidente de trabalho se ficar comprovado o nexo causal, garantindo estabilidade e indenizações ao trabalhador.
No entanto, a comprovação requer documentos médicos, perícias e relatos das condições de trabalho, que muitas vezes são difíceis de obter por falta de registros e receio de testemunhas.
Histórias de trabalhadores exemplificam o problema na prática. Marcela Moreira, profissional da área de dados, relata a pressão constante por metas e a normalização do cansaço até que precisou se afastar do trabalho; ela foi demitida após o período de recuperação. A pedagoga Cristine Oittica, com atuação no terceiro setor, enfrentou jornadas prolongadas, exclusão de projetos e falta de reconhecimento, o que impactou sua saúde mental e levou a afastamentos sucessivos. Após retorno de férias, foi desligada da empresa.
O atraso na implementação da atualização da NR-1 preocupa auditores fiscais e o MPT, que defendem a aplicação das novas regras para incluir riscos psicossociais na fiscalização do trabalho, equiparando-os a outras infrações trabalhistas.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que não vê espaço para novo adiamento da NR-1, a menos que haja acordo entre empresas e trabalhadores, mas esse consenso ainda não foi alcançado.
Enquanto isso, especialistas alertam para a necessidade de ações efetivas para melhorar as condições laborais e prevenir o adoecimento mental. A pressão por produtividade deve ser equilibrada com o cuidado à saúde mental, e o debate sobre burnout exige atenção às múltiplas causas e às diferentes realidades dos trabalhadores afetados.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com