Economia

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho
  • Publishedabril 30, 2026

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, informou que a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a responsabilidade das empresas sobre a saúde mental dos trabalhadores, não será adiada sem acordo entre empregadores e representantes dos trabalhadores. A declaração foi feita em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, em março de 2024.

Marinho explicou que a norma já teve uma prorrogação no ano anterior e ressaltou que, neste momento, não há disposição para um novo adiamento. Segundo ele, somente um consenso entre empresas e sindicatos poderia motivar uma nova mudança, o que atualmente não existe. “Se houver esse entendimento, vamos acatar. Mas esse acordo hoje não existe — e, sem ele, não há prorrogação”, afirmou.

A atualização da NR-1 prevê que auditores fiscais do trabalho possam fiscalizar e aplicar multas em casos que envolvam metas excessivas, jornadas prolongadas, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia, condições de trabalho precárias e ausência de suporte, reconhecendo assim os riscos psicossociais no ambiente laboral. Essas questões terão o mesmo peso de fiscalização que acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

O ministro destacou que as empresas não precisam contratar consultorias externas e caras para atender à norma. Elas podem usar suas equipes internas, como recursos humanos, assistência social e psicologia, conforme orientações já publicadas em manual desenvolvido pelo Ministério do Trabalho. Além disso, empresas podem buscar apoio em entidades representativas e no Sistema S para implementar as adequações necessárias.

Segundo Marinho, a atuação inicial dos auditores será orientativa, com o objetivo de auxiliar as organizações na adaptação à norma e evitar penalidades imediatas. “A ideia é ajudar as empresas a organizar esse processo. Não é para sair autuando quem ainda enfrenta dificuldades”, disse. O ministro também defendeu a necessidade de uma implementação gradual, baseada no diálogo entre trabalhadores e empregadores para evitar judicializações.

A norma estava prevista para entrar em vigor em maio de 2025, mas foi adiada por um ano, para maio de 2026, após pressão de sindicatos patronais e empresas. Esta prorrogação ocorreu em meio a um cenário que registrou recordes no número de afastamentos por transtornos mentais, um problema que gerou custos bilionários ao governo. Agora, diante de novas pressões, o Ministério do Trabalho chegou a avaliar um segundo adiamento, mas a decisão final ainda não havia sido divulgada até o momento da entrevista.

Entidades empresariais defendem um novo adiamento, argumentando que o prazo atual não foi suficiente para a adaptação, principalmente pela falta de orientações técnicas mais claras. Elas apontam que a norma pode transferir para as empresas a responsabilidade por problemas de saúde mental, considerados globais, além de gerar custos extras e insegurança jurídica.

Por outro lado, auditores fiscais do trabalho destacam que as exigências da NR-1 não são inéditas, sendo a inclusão dos riscos psicossociais a principal alteração. Eles ressaltam que o Ministério do Trabalho já publicou uma cartilha e um manual para orientar empresas na implementação da norma.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) manifestou-se contra um novo adiamento, apresentando preocupação com a insegurança jurídica e o comprometimento da proteção à saúde mental no trabalho. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT) também criticou a possibilidade, afirmando que os trabalhadores sofrem com a falta de implementação da norma.

Representantes do setor de Segurança e Saúde no Trabalho defendem a manutenção do prazo para maio de 2026, afirmando que o tempo de adaptação foi suficiente e que existem orientações técnicas disponíveis para facilitar a implementação.

A decisão sobre o futuro da NR-1 no que diz respeito a novos adiamentos depende do diálogo entre os atores envolvidos e poderá influenciar a forma como as empresas tratam a saúde mental em seus ambientes de trabalho.

Palavras-chave relacionadas:
NR-1, Norma Regulamentadora, saúde mental no trabalho, Ministério do Trabalho, Luiz Marinho, fiscalização trabalhista, riscos psicossociais, jornada de trabalho, assédio moral, sindicalismo, legislação trabalhista, afastamentos por transtornos mentais, responsabilidade empresarial, Sistema S, Ministério Público do Trabalho, SINAIT, segurança e saúde no trabalho.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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