O Banco Central da França retirou todas as suas reservas

O Banco Central da França retirou todas as suas reservas de ouro armazenadas no Federal Reserve, em Nova York, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, alegando motivos técnicos para a operação. A transferência totalizou 129 toneladas do metal, que agora estão guardadas em Paris, segundo confirmação oficial da instituição.
De acordo com a nota enviada pelo Banco Central francês, foram realizadas 26 operações de venda pontuais que geraram um ganho de capital de US$ 12,8 bilhões. O ouro adquirido com esses recursos segue os padrões internacionais de pureza e peso e está sendo padronizado. A instituição informou que o estoque residual, equivalente a 5% da reserva, ainda será ajustado até 2028.
A decisão está alinhada a uma política adotada desde 2005 e às recomendações de um relatório de controle interno de 2024. O Banco Central descartou relações com aspectos geopolíticos na decisão, destacando ter caráter técnica e de modernização dos ativos.
Especialistas indicam, porém, que o momento coincidia com tensões políticas e comerciais entre os Estados Unidos e a Europa, especialmente durante o governo Trump. Ramiro Ferreira, especialista em investimentos, aponta que a volta do ouro ocorre enquanto outros bancos centrais também solicitavam a repatriação de reservas no Federal Reserve.
Em setembro de 2025, a Reuters informou que, pela primeira vez desde 1996, bancos centrais passaram a deter mais ouro do que títulos da dívida pública americana nas suas reservas. Um estudo do Banco Central Europeu indicou que o estoque total desses metais chegou a 36 mil toneladas.
Em pesquisa recente divulgada pela Reuters, 40% dos gestores de quase 100 bancos centrais manifestaram intenção de aumentar sua exposição ao ouro, considerado um ativo seguro em períodos de instabilidade econômica. A busca pelo ouro tem sido impulsionada por preocupações com a elevação da dívida dos Estados Unidos, a independência do Federal Reserve e tensões geopolíticas globais.
O ouro atingiu sua maior cotação histórica em janeiro de 2026, chegando a US$ 5.595 por onça (31,1035 gramas). No entanto, na última quinta-feira (9), seu preço caiu para cerca de US$ 4.700, uma redução de 16% em relação ao pico registrado no início do ano.
O movimento da França reforça a tendência de bancos centrais preocupados com a segurança e a padronização das suas reservas de ouro. A iniciativa também sinaliza um reposicionamento das reservas físicas em resposta a demandas modernas do comércio internacional.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com