Novelas animadas por inteligência artificial, protagonizadas

Novelas animadas por inteligência artificial, protagonizadas por frutas como abacate, morango, banana e pêra, viralizaram nas redes sociais em formato de “novelinhas” com roteiros que trazem temas problemáticos. As produções ganharam destaque em plataformas como TikTok e Instagram desde março de 2024, ao misturarem humor e dramas que reproduzem cenas de violência física e psicológica, além de discursos preconceituosos, o que motivou alertas de psicólogos.
O fenômeno começou a partir do perfil “AI.Cinema021”, que adaptou o reality show britânico “Love Island” para um formato com frutas animadas. A conta rapidamente acumulou mais de 2,5 milhões de seguidores e 30 milhões de curtidas, inspirando versões brasileiras que incorporam gírias locais e situações típicas de programas populares de TV. Personagens como Abacatudo, Moranguete e Bananildo protagonizam histórias que condensam os conflitos de novelas nacionais em vídeos de cerca de 60 segundos.
A repercussão das “novelinhas de frutas” ultrapassou o âmbito de entretenimento e alcançou grandes marcas. Empresas como Flamengo, Carrefour, Burger King e a Prefeitura de Salvador utilizaram o formato para engajar o público nas redes sociais após a viralização dos conteúdos. Influenciadores também adotaram versões ao vivo das tramas, utilizando maquiagem para representar os personagens e encenar os diálogos mais populares.
Além da viralização, essa tendência se transformou em uma oportunidade comercial. Cursos que ensinam como criar esses personagens virais por meio de comandos de texto para inteligência artificial passaram a ser ofertados, prometendo capacitar usuários a desenvolver conteúdos que atraem audiência e geram renda, sem necessidade de exposição pessoal. Esse mercado demonstra a expansão do uso da IA para produção de conteúdo digital focado em popularidade e monetização.
Especialistas, porém, alertam sobre os riscos associados à aparência infantil das produções aliada a roteiros carregados de palavrões, discursos de gordofobia, objetificação feminina e relacionamentos abusivos. A psicanalista Fabíola Barbosa destaca que o problema está no conteúdo e sua influência sobre crianças e adolescentes, que podem consumir essas histórias sem filtro ou reflexão crítica. Ela reforça a necessidade de diálogo entre responsáveis e jovens para entender o impacto desses materiais.
Apesar das regras das plataformas exigirem que usuários tenham ao menos 13 anos para criar contas no TikTok e Instagram, com limitação de conteúdo para menores de 17 anos, a remoção de publicações inadequadas ainda é um desafio. Dados do relatório de transparência do primeiro trimestre de 2024 apontam que cerca de 1,2 milhão de conteúdos são removidos mensalmente por violarem as normas relativas a menores de idade. O sistema atua rapidamente em casos envolvendo bullying, violência ou teor sexualizado, reforçando a política de tolerância zero.
A popularidade das “novelinhas de frutas” evidencia a complexidade de conteúdos gerados por inteligência artificial, que misturam formas acessíveis a públicos jovens com temas complexos e prejudiciais. Enquanto cresce o debate sobre regulamentação e controle nas redes sociais, o alerta dos especialistas recomenda maior supervisão e discussão sobre os conteúdos consumidos por crianças e adolescentes para evitar efeitos negativos.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com