O diretor de Política Monetária do Banco Central

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (8), em evento em São Paulo, que o conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã pode restringir o espaço para cortes futuros na taxa básica de juros (Selic). A alta de preços provocada pela guerra eleva a inflação, limitando a capacidade da autoridade monetária de reduzir os juros sem comprometer o controle dos preços.
David explicou que atualmente a Selic está em um nível que permite alguns cortes, pois a taxa tem mais “gordura” do que há seis meses. No entanto, o aumento dos preços de energia e a expectativa de inflação global mais alta, decorrentes do conflito, podem reduzir esse espaço e dificultar movimentos de baixa adicionais. O diretor ressaltou que o Banco Central não pode “baixar a guarda” diante dessa situação.
O Banco Central reduziu a Selic em março em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,75% ao ano. Apesar dessa redução, a instituição indica cautela, mantendo os juros em patamares considerados restritivos para conter a pressão inflacionária e lidar com as incertezas trazidas pela guerra.
Nilton David também comentou o recente avanço do dólar em relação ao real desde o início do conflito, no fim de fevereiro. Segundo ele, a desvalorização do real não difere muito dos movimentos observados em outras moedas emergentes. Ele relembrou que o país enfrentou oscilações cambiais mais intensas em ocasiões anteriores, como na virada de 2024 para 2025, quando o dólar à vista superou R$ 6,20.
O diretor destacou que a volatilidade cambial aumenta os desafios para a política do Banco Central, pois dificulta o retorno da inflação para a meta estabelecida. Por isso, o BC atua para evitar que essa volatilidade se amplifique, buscando maior estabilidade no mercado.
Além disso, Nilton David ressaltou o risco de interpretações equivocadas do mercado em relação ao combate à inflação. Ele mencionou que algumas previsões para 2027 e 2028 indicam piora na expectativa inflacionária, o que sugere que o mercado acredita em uma postura mais frouxa do Banco Central. “O Banco Central vai buscar a meta”, afirmou, reafirmando o compromisso com o controle dos preços.
Em síntese, o conflito no Oriente Médio cria pressões inflacionárias e incertezas que podem frear o avanço em eventuais cortes na Selic, no esforço do Banco Central para manter a inflação sob controle e preservar a estabilidade econômica.
—
Palavras-chave relacionadas: Banco Central, Selic, juros, inflação, conflito Oriente Médio, Brasil, política monetária, câmbio, dólar, preços de energia, Banco Central do Brasil, Nilton David, mercado financeiro.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com