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O documentário “Apocalipse segundo Baby”, dirigido por Rafae

O documentário “Apocalipse segundo Baby”, dirigido por Rafae
  • Publishedabril 3, 2026

O documentário “Apocalipse segundo Baby”, dirigido por Rafael Saar, estreou entre 12 e 14 de abril na 31ª edição do festival de documentários É Tudo Verdade, realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo. O filme aborda a trajetória artística e espiritual de Baby do Brasil, cantora e compositora fluminense conhecida por sua passagem no grupo Novos Baianos e pela conversão ao cristianismo evangélico pentecostal.

Produzido desde 2008, o documentário enfatiza a dimensão espiritual na vida e na música de Baby do Brasil, que desde 1999 se autodenomina “popstora”, termo que une popstar e pastora. Saar utiliza uma narrativa que combina arquivos históricos, imagens recentes e depoimentos da própria artista para traçar seu percurso, desde a juventude hippie até a maturidade marcada pela fé.

O roteiro destaca episódios importantes da vida da cantora, como sua passagem pela Bahia e o período em que viveu em situação de rua na ponte de Piatã, em Salvador. A travessia pelo Caminho de Santiago também aparece como marco na conversão espiritual de Baby. O diretor reserva atenção ao contexto político da época em que Baby integrava o grupo Novos Baianos, enfatizando a repressão da ditadura militar e a resistência cultural do conjunto.

Imagens de shows antigos mostram Baby interpretando clássicos do samba e da música brasileira, ressaltando sua presença de palco muitas vezes comparada à da cantora norte-americana Janis Joplin. O documentário ainda registra encontros de Baby com outras artistas importantes, como Ademilde Fonseca e Elza Soares, evidenciando a diversidade musical da personagem retratada.

O filme apresenta episódios que ilustram a relação da artista com o espiritual, incluindo cenas da corrente de oração realizada por Baby na porta da clínica onde Clara Nunes estava internada, em 1983. Também expõe o contato e o desencanto da cantora com o suposto paranormal Thomas Green Morton, conhecido como “O homem do Rá”.

No entanto, o documentário evita discutir criticamente as transformações pessoais e artísticas da cantora, sobretudo em relação à mudança de temáticas na música após sua conversão religiosa. Baby do Brasil, por exemplo, afasta referências a drogas presentes em letras antigas, preferindo ressaltar o aspecto sagrado da música como “contato direto com Deus”.

Com duração de 109 minutos, “Apocalipse segundo Baby” oferece um olhar afetivo e detalhado sobre a vida da artista. O filme mostra o entrelaçamento entre a arte e a fé na trajetória da cantora, que aguarda, segundo suas próprias palavras, o arrebatamento, termo relacionado a um evento apocalíptico. A produção foi realizada em parceria entre Dilúvio Produções e Canal Brasil.

Apesar da abordagem marcada pela perspectiva da própria Baby do Brasil, o documentário contribui para compreender os nexos entre música popular, identidade religiosa e história pessoal no cenário cultural brasileiro.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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