A ideia de que o café bom produzido no Brasil

A ideia de que o café bom produzido no Brasil é exportado e o café ruim fica para consumo interno não reflete a realidade atual, segundo especialistas e dados do setor. Essa percepção tem origem no passado, especialmente nos anos 1980, quando o controle de qualidade era precário e o mercado enfrentava fraudes e interferência governamental nos preços.
Naquela época, o Instituto Brasileiro do Café (IBC) controlava preços e volume, mas fiscalizava pouco a qualidade, permitindo misturas com cevada, milho e outras impurezas. Parte dos melhores grãos era exportada, pois o mercado internacional pagava mais, enquanto o consumidor brasileiro recebia cafés de qualidade variável. A baixa qualidade contribuiu para a queda do consumo interno entre as décadas de 1960 e 1980.
Em 1989, o controle do mercado foi transferido para a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), que iniciou a fiscalização e exigiu que os pacotes vendidos fossem feitos com 100% de grãos de café. A entidade criou o Selo de Pureza, que certifica a qualidade do produto, e promoveu campanhas publicitárias com o ator Tarcísio Meira para recuperar a confiança do consumidor brasileiro.
O fortalecimento da fiscalização continuou com a criação da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em 1991, voltada para a produção de grãos maduros e sem defeitos, segmento que cresceu tanto para exportação quanto para consumo interno. Em 2015, apenas 1% do café especial era consumido no país; atualmente, esse número subiu para 15%.
Em 2022, o Ministério da Agricultura estabeleceu normas para o café torrado, proibindo que os pacotes contenham mais de 1% de impurezas ou matérias estranhas, como galhos, folhas, pedras e corantes. A portaria entrou em vigor em 2023, ampliando o escopo da regulamentação iniciada na década de 1970 e dando respaldo às fiscalizações do governo.
Atualmente, a certificação da Abic envolve quatro etapas de análise: avaliação microscópica para garantir pureza, testes sensoriais às cegas, auditoria de boas práticas nas indústrias e monitoramento surpresa nas prateleiras de supermercados. O controle rigoroso reduziu as fraudes e incentivou investimentos na qualidade dos grãos, ampliando a produção de cafés reconhecidos internacionalmente.
Apesar de o café especial ainda ser mais exportado, o consumo interno tem apresentado crescimento, o que indica uma mudança no perfil do mercado brasileiro. O presidente da Abic destaca que o cenário atual reflete os avanços na fiscalização e na valorização da qualidade, afastando o estigma do café de baixa qualidade para os consumidores no Brasil.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com