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O Irã tem usado o domínio sobre o Estreito de Ormuz como uma arma de guerrilha econômica global desde o início da atual escalada no Golfo Pérsico. A ameaça de fechamento ou restrição da passagem, que ocorre entre os golfos Pérsico e de Omã, tem limitado o tráfego marítimo desde março de 2024, afetando o escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial.
As forças iranianas empregam a estratégia de guerra assimétrica para manter o controle do estreito, um corredor marítimo crucial com pouca profundidade e canais estreitos que facilitam o bloqueio. A simples ameaça do uso de minas marítimas, mísseis e drones espanta companhias de navegação e seguradoras, reduzindo a circulação de navios. Desde o início do conflito, apenas algumas dezenas de petroleiros receberam autorização para atravessar, enquanto em tempos normais esse número equivale ao tráfego de apenas um dia.
O conceito de guerra assimétrica, utilizado pelo Irã, descreve um conflito onde os poderes beligerantes possuem capacidades e recursos militares desiguais. O Irã, como potência média, não consegue enfrentar diretamente os Estados Unidos em um confronto convencional e, por isso, opta por estratégias que imponham custos elevados a seus adversários. O apoio a grupos irregulares no Oriente Médio, como o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iêmen, faz parte dessa tática.
Especialistas em segurança destacam que o Irã busca impor custos geopolíticos e econômicos aos Estados Unidos e seus aliados. O controle sobre o Estreito de Ormuz não afeta apenas o petróleo bruto, mas também o transporte de produtos derivados, como fertilizantes e polímeros. A geografia do local permite um bloqueio eficiente, podendo ser realizado até mesmo por drones, devido à profundidade máxima de cem metros e canais de navegação estreitos.
A reação iraniana expôs falhas na estratégia dos Estados Unidos. Segundo analistas, o governo americano subestimou a capacidade de resistência do Irã e sua disposição para usar guerra assimétrica. A dependência de decisões baseadas em afinidades ideológicas, ao invés de competências técnicas, contribuiu para o cenário atual. Além disso, a inteligência dos EUA falhou em avaliar corretamente o poder dissuasório iraniano no estreito.
Apesar dos inúmeros planos militares existentes no Pentágono para lidar com a situação em Ormuz, a decisão de usar or força militar é política e envolve riscos de escalada. A expectativa americana de que ataques aéreos derrubassem o regime iraniano não se concretizou. A promessa de não utilizar forças terrestres no exterior também limita as opções de Washington.
A guerra assimétrica também confere uma ambiguidade estratégica ao Irã, dificultando que suas ações sejam interpretadas como atos formais de guerra pela comunidade internacional. Essa abordagem desafia a lógica de vitória militar convencional, exigindo novas formas de resiliência e dissuasão multidimensional, que envolvem o equilíbrio entre capacidade militar, narrativa política e coalizões internacionais.
A presença da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região é vista como um fator que pode transformar o conflito em uma questão de segurança coletiva, aumentando a complexidade do cenário geopolítico.
O ex-embaixador Sérgio Tutikian alerta que a ameaça iraniana de fechar o Estreito de Ormuz não é nova, tendo raízes no conflito Irã-Iraque da década de 1980. Ele lembra que a morte do general Qassem Soleimani em 2022 intensificou as tensões, que podem se complicar ainda mais no verão do Golfo, quando as temperaturas podem chegar a 50ºC e a umidade relativa do ar atinge 100%. Essas condições dificultariam eventuais operações militares terrestres na região.
A ilha iraniana de Kharg, ponto estratégico para a distribuição de petróleo, é considerada um possível alvo de ações militares dos EUA, mas seu histórico e localização reforçam a complexidade de qualquer escalada no Golfo.
Em resumo, o Irã utiliza o controle do Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão econômica e militar, empregando táticas de guerra assimétrica para contornar sua inferioridade bélica e impor custos geopolíticos aos Estados Unidos e seus aliados, em um contexto marcado por complexidades regionais e internacionais.
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Fonte: g1.globo.com
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